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Sexta-feira, 22 de Outubro de 2010, 19h:08

Tite tenta recuperar o Corinthians na conversa

VITOR MARQUES
Da Agência Estado - São Paulo, SP
No dia seguinte à queda de Adílson Batista, a diretoria do Corinthians decidiu que só havia uma saída para tirar o time da crise que se instaurou no Parque São Jorge: era preciso mexer com o brio dos atletas, dando um chacoalhão neles. Foi por isso que os cartolas descartaram a permanência do interino Fábio Carille, um bom profissional, mas sem força para lidar com medalhões do quilate de Roberto Carlos e Ronaldo. E também foi por isso que, com a negativa de Carlos Alberto Parreira, a escolha do novo técnico recaiu sobre o gaúcho Tite. Mais que o desejo de contratar um ‘novo Mano Menezes’, o clube queria um comandante experiente e que atuasse como psicólogo fora das quatro linhas. Conhecido como motivador nato, Tite testará todo o seu poder de mexer com o brio dos jogadores no clássico de domingo, contra o Palmeiras, quando estreia no cargo Com pouco tempo para trabalhar (seu primeiro treino foi apenas na quarta-feira), o técnico vai ganhando o elenco na base da conversa. "Ele é uma pessoa muito boa, de caráter excepcional, um motivador... Em sua primeira passagem por aqui, o Corinthians estava muito mal e ele ajudou. Espero que ele tenha a mesma sorte e que possamos engrenar algumas vitórias para voltar à fase anterior", disse o goleiro Júlio César, único remanescente no atual elenco da primeira era Tite no Corinthians, entre os anos de 2004 e 2005. Recuperar o futebol que levou o time à liderança do Brasileirão é a obsessão para Tite. "O Corinthians pode voltar a jogar como antes", avisou o treinador. É uma afirmação que confirma a análise da diretoria. O problema não está no elenco. O problema está na cabeça dos jogadores, alguns deles pressionados pelos maus resultados (são sete jogos sem vitória) e principalmente pela torcida. Tite é um técnico que até em treinos coletivos grita aos atletas frases como: "Vamos lá, vocês têm de ganhar". Antes dos jogos, enquanto os jogadores se reúnem no vestiário, ele se posiciona na saída do túnel para cumprimentar um a um seus titulares. Essa é uma característica marcante em seu trabalho, mas que ele próprio garante que não ganha jogo. Na verdade, Tite até reprova o rótulo de motivador. "Não se trata de desmistificar, mas a excelência está na capacitação profissional. Tenho esse lado forte de fazer o meu trabalho com muito amor", afirmou.

Edição EDIÇÃO 16959




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