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ESPORTES
Sexta-feira, 11 de Junho de 2010, 22h:00

Temor por atentado exige esquema de guerra

ALMIR LEITE
Da Agência Estado - Johannesburgo, África do Sul
Esquadrão antibomba, cães farejadores, vigilância por terra e ar, controle do espaço aéreo, detector de metais, revista rigorosa... Todo esse aparato vai ser colocado em prática neste sábado, em Rustemburgo. Mas não se trata de um encontro de chefes de Estado e sim do jogo entre Inglaterra e Estados Unidos, às 14h30 (de Mato Grosso), na abertura do Grupo C da Copa do Mundo. A partida é considerada de alto risco, não por uma possível ação dos hooligans, mas pelo temor de uma ação terrorista. Oficialmente, os responsáveis por garantir a segurança da Copa não admitem o risco. Mas a Agência Estado apurou que tanto ele existe que todo o esquema de segurança da partida foi elaborado pela CIA, a agência de inteligência norte-americana. Mesmo porque o vice-presidente americano, Joe Biden, garantiu presença hoje no estádio Royal Bafokeng. Não foram divulgados detalhes da operação, como o número de homens envolvidos. Estados Unidos e Inglaterra são parceiros na política, economia, desenvolvem estratégias conjuntas. Estavam do mesmo lado nos conflitos do Iraque e Afeganistão e alinhados durante a recente crise na economia mundial. E despertam a ira de radicais fundamentalistas. Há dois meses, um grupo ligado à rede Al-Qaeda, fez publicar artigo numa revista árabe, Mushtaqun Lel Jannah, onde revelava que gostaria muito de explodir uma bomba no jogo entre Inglaterra e Estados Unidos. "Que incrível seria o jogo Estados Unidos x Inglaterra, quando se transmite ao vivo, com o estádio cheio, o som de uma bomba a explodir nas arquibancadas. Todo o estádio virado de cabeça para baixo e o número de cadáveres entre as dezenas e centenas", dizia o texto. Tal manifestação fez crescer o estado de alerta e desde então a CIA tomou as rédeas do esquema de segurança da partida. O secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, entrou recentemente no tema e disse não acreditar em nenhuma anormalidade na partida deste sábado. "Depois de tudo que foi noticiado, tenho certeza que todos os olhos da segurança da Copa do Mundo estarão voltados para a partida Estados Unidos e Inglaterra. Este jogo terá um altíssimo nível de segurança, acho que se há um jogo no qual ninguém vai encostar é nesse", disse. As duas seleções estão sob forte esquema de vigilância na África do Sul. Os treinos dos EUA são sempre acompanhados por policiais locais, alguns armados até com metralhadoras, e agentes disfarçados. Nas entrevistas coletivas, concedidas em uma fazenda, só se tem acesso à tenda montada para os jornalistas depois de se passar por revista. Na quinta-feira, por exemplo 20 minutos antes do horário marcados para a entrevista, um policial pediu aos jornalistas que deixassem a tenda e em seguida entrou com um cão farejador no local. Na concentração da Inglaterra também não se entra facilmente. Mas até ontem havia frouxidão no Royal Bafokeng e os detectores de metais permaneciam desligados.

Edição EDIÇÃO 16961




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