ESPORTES
Segunda-feira, 30 de Março de 2009, 20h:45
A
A
Ronaldinho Gaúcho não é mais uma unanimidade entre gaúchos
EDUARDO MALUF, GIULIANDER CARPES E LUÍS AUGUSTO MONACO
Da Agência Estado Porto Alegre, RS
Ronaldinho Gaúcho não atravessa uma boa fase. Seu abatimento na saída da delegação brasileira do estádio, depois do empate em 1 a 1 com o Equador, atesta. Embora um jogo pela seleção em sua terra natal possa ajudá-lo a recuperar a autoestima e, principalmente, o bom futebol, nem o técnico Dunga tem certeza de sua escalação. Uma má atuação no Beira-Rio, amanhã, contra o Peru, também poderia desgastar ainda mais sua imagem perante o torcedor, já que o ex-gremista não é unanimidade nem na cidade em que nasceu e começou a despontar no futebol. "Independente de estarmos na casa do Ronaldinho, do Alexandre Pato, do Lúcio, do Kleber, vamos pensar na seleção e colocar o que temos de melhor em campo", despistou Dunga. Os torcedores do Internacional lembram com antipatia de suas atuações pelo arquirrival. Inclusive uma, na final do Campeonato Gaúcho de 1999, em que o meia-atacante deixou o então volante colorado Dunga desconcertado com seus dribles. Há possibilidade de vaias nesta quarta. "Nem penso nisso. Já joguei algumas vezes no Beira-Rio desde que saí do Grêmio e não tive problemas", afirmou o jogador. Mas os gremistas também não morrem de amores por Ronaldinho. Não o perdoam pela forma como saiu do estádio Olímpico no início de 2001. Foi para o Paris Saint-Germain sem dar retorno financeiro algum ao tricolor gaúcho, logo depois de dizer que ficaria no clube. "Acho que ele foi extremamente desonesto com o Grêmio ao assinar um pré-contrato às escuras, sendo que ainda jogava aqui (em Porto Alegre) e no final do Brasileirão", disse Vicente Fonseca, sócio do clube. "As pipocadas dele na seleção e na final do Mundial (contra o Internacional, que levou o título em 2006) só aumentam meu desgosto". Embora os gaúchos tenham se rendido ao talento de Ronaldinho quando ele foi escolhido o melhor jogador do mundo em 2004 e 2005, a situação atual é outra. A própria crônica esportiva local não tem mais esperanças no astro. "Ele perdeu a capacidade de dar aquela arrancada para obter a vitória pessoal contra os marcadores", opinou Ruy Carlos Ostermann, comentarista do SporTV e colunista do jornal Zero Hora. "Não sei se é porque não tem mais motivação ou porque simplesmente já não pode mais". Reserva no Milan, contestado na seleção, o jogador ainda acredita que conseguirá dar a volta por cima. Seu discurso, ao menos - desde a apagada participação na Olimpíada de Pequim, frise-se -, é de que a boa fase logo vai voltar. A recuperação do bom futebol de Ronaldinho é uma das missões dadas pelo presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, a Dunga. Resta aguardar até quando o técnico está disposto a esperar a recuperação do astro. A torcida parece que já se cansou.