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ESPORTES
Terça-feira, 22 de Junho de 2010, 20h:58

Psicólogos temem que jogadores imitem técnico

ANA PAULA GARRIDO
Da Agência Estado – São Paulo
A irritação de Dunga - na última entrevista coletiva xingou, em voz baixa, o jornalista Alex Escobar, da TV Globo -, preocupa psicólogos. Além de criar clima tenso em torno da seleção, a postura pode ser adotada pelo grupo. Por isso, o presidente da Associação Paulista da Psicologia do Esporte, João Ricardo Cozac, desaprova a atitude do técnico. "Ele não tem a menor condição psicológica para dirigir a seleção", disse. A pior consequência é o comportamento influenciar os jogadores. Algo possível, ainda mais pela relação que Dunga construiu com a equipe. "Se ele tem o respeito dos demais, acaba influenciando. Se ele é criticado publicamente, os outros também podem se sentir criticados", explicou a psicóloga Henriette Penha Morato. Outro reflexo envolve uma instabilidade que pode se alastrar no elenco. "Os jogadores podem ficar inseguros quando constatarem que o líder tem uma fragilidade emocional", indicou Cozac. Na coletiva de ontem, Kaká, que sempre foi elogiado por sua tranquilidade, mostrou sinais de agitação em alguns momentos A atitude atípica já pode ser indício de descontrole no grupo, de acordo com o psicólogo. "Quando o técnico tem uma explosão como a do Dunga, a repercussão no time é imediata", afirmou. Já Henriette pondera a situação complicada vivida pelo meia da seleção. "O Kaká tem outras razões, como a expulsão no último jogo. Há uma situação de estresse independente da atitude do Dunga, além do que, nem todos se submetem à posição do líder", observou. SEM APOIO - A competição por si só já gera um fator de tensão. Daí a necessidade de um apoio psicológico aos jogadores e à comissão técnica. "Já deveria ter um trabalho com eles desde o ano passado, como 20 das 32 seleções fizeram", criticou Cozac. Para ele, o fato de Dunga não aprovar um suporte emocional indica outra característica do seu perfil. "Pessoas controladoras não permitem que outros interfiram naquelas que lidera". Apenas bons resultados podem reverter o clima hostil da seleção com a imprensa, segundo o presidente da Associação. "Vamos ficar reféns das boas apresentações, pois qualquer fator negativo será uma pólvora", previu. No entanto, segundo Henriette, a mudança de um quadro complicado pode partir de qualquer um. "A iniciativa não precisa vir do chefe", disse. MÁGOA ANTIGA - A postura do técnico da seleção não é desabafo por um desentendimento recente. O motivo do conflito vem desde 1990, segundo Cozac, quando Dunga, então jogador, foi questionado. O clima chegou a ser amenizado em 1994, com a conquista do tetra. "Mas se observa que ele mantém vivo um ressentimento. Não há outro motivo aparente para tanta raiva", analisou o psicólogo.

Edição EDIÇÃO 16965




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