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Quarta-feira, 17 de Junho de 2026, 09h:17

COPA 2026

Portugal estreia com favoritismo inédito em Copas, mas sob o 'dilema CR7'

Embalada por uma geração talentosa e bons resultados, seleção europeia sonha com primeira final da história

KLAUS RICHMOND
Da Folhapress - Houston
Cristiano Ronaldo

Em novembro de 2025, Cristiano Ronaldo surpreendeu o mundo ao dar de ombros quando questionado pelo jornalista Piers Morgan sobre suas expectativas de vencer uma Copa do Mundo aos 41 anos.

"Se me perguntar: 'Cristiano, é um sonho vencer o Mundial?’, direi: ‘não é um sonho’. Ganhar um Mundial não vai mudar o meu nome na história. Não vou mentir", respondeu o astro da seleção de Portugal, que ainda apontou Brasil e Argentina como favoritas à competição.


"Quantos mundiais a Argentina venceu antes de Messi? São países habituados a ganhar grandes competições. Se o Brasil vencer o Mundial, será uma surpresa? Não. Se Portugal ganhar um Mundial, será um choque? Sim", afirmou na ocasião. Os portugueses estreiam pelo grupo K nesta quarta (17), contra à República Democrática do Congo.

A fala do jogador acostumado a dizer, sem papas na língua, ser o melhor de toda a história —desafiando até mesmo Pelé— soou como a mais pura tacada diplomática ou uma tática para aliviar a pressão sobre a geração considerada uma das mais promissoras da história do país.

Acostumada a resultados modestos em Copas —o melhor deles foi a terceira colocação com o time liderado por Eusébio, em 1966–, Portugal vê tomar conta do país o sentimento de que esta pode ser a melhor campanha.

"Vai dar Portugal", diz o slogan desenvolvido pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF) em apoio à seleção. A ideia é simples: fortalecer entre os adeptos a certeza de que sonhar com o inédito troféu é, sim, possível desta vez.

"Portugal é candidato e é um dos favoritos nesta Copa. É o que temos dito aqui, sem medo. Temos uma geração fantástica de jogadores, a começar pelo goleiro Diogo Costa, um dos melhores do mundo, mas que também passa por excelentes laterais, o melhor meio-campo entre todas as seleções, bons extremos e, claro, um goleador. Se for disciplinado e coletivo, o título é possível", analisa o jornalista Pascoal Sousa, do jornal A Bola.

 Os lusitanos chegam confiantes à competição respaldados pela segunda conquista da Liga das Nações de sua história, contra a favorita Espanha, nos pênaltis, em junho do ano passado. O otimismo, porém, se ancora principalmente em uma base que mescla nomes experientes, como os meio-campistas Bruno Fernandes e Bernardo Silva, a jovens badalados, como o volante João Neves e o lateral Nuno Mendes.

O elenco ainda conta com o volante Vitinha, um dos melhores do mundo nas últimas duas temporadas, e opções elogiadas para o ataque, como Rafael Leão, Pedro Neto e João Félix.

 "Acredito que Portugal tem talento individual, condições e jogadores de nível para lutar pela final. Não sei se em campo isso se confirmará; o ataque está muito condicionado a Cristiano Ronaldo. Tudo vai depender da fase de grupos e da confiança que sairá após esses jogos", afirma o jornalista Diogo Pombo, do jornal Expresso.

Cristiano Ronaldo chega para a sua sexta Copa do Mundo respaldado, mas não imune às críticas. Se publicamente o técnico espanhol Roberto Martínez dá avisos claros de que o jogador é intocável —só foi reserva uma vez sob seu comando neste ciclo—, por outro há uma ala que desconfia do maior artilheiro da história das seleções, com 143 gols.

"Sim, há uma ala anti-Ronaldo e uma pró-Ronaldo em Portugal. E com visões muito radicais", pontua o jornalista Pedro Cunha, do ZeroZero.

 O mau desempenho nos amistosos preparatórios de Portugal para o Mundial, sob o olhar atento da crítica europeia, colocou o jogador do Al-Nassr na berlinda.

O jornal espanhol As o classificou como um "enigma", destacando sua dificuldade em balançar as redes nas partidas contra Chile e Nigéria. Na França, a rádio RMC Sport definiu suas atuações como "desajeitadas".

"O que se discute não é a presença de Cristiano na seleção, mas que sua titularidade ainda seja indiscutível. Ele já não é o mesmo jogador que era, nem sequer aquele que se tornou um homem de gols no Real Madrid. E isto é natural por sua idade. O seu tempo de reação em espaços curtos já não é o mesmo", avalia Diogo Pombo.

 Em números, de fato, Cristiano é indiscutível. Maior artilheiro da história do Real Madrid, com 450 gols, e da Liga dos Campeões, com 140, só com Roberto Martínez, o camisa 7 marcou 25 gols em 32 jogos.

"A equipe já provou em mais de uma ocasião que é capaz de jogar tão bem ou melhor sem Ronaldo do que com ele. Portanto, há coisas que têm de estar em cima da mesa e serem discutidas. Portugal tem uma geração maravilhosa, que tem condições para ser campeã do mundo, e não se pode negociar esse desejo por culpa de Cristiano Ronaldo", analisa Cunha.

Além de Cristiano, outro ponto que pode gerar dor de cabeça é a defesa. Titular absoluto, o zagueiro Rúben Dias, do Manchester City, sofreu com lesões ao longo da última temporada e não tem um companheiro definido para o setor. Renato Veiga, do Villarreal, é o favorito à vaga, que ainda pode ter Gonçalo Inácio, do Sporting, ou mesmo Tomás Araújo, do Benfica.

 Para não desviar o foco, a federação portuguesa escolheu um resort em Palm Beach, com uma praia privada para os hóspedes, além de estrutura de luxo para os atletas.

A equipe fará as duas primeiras partidas em Houston, no Texas, diante de República Democrática do Congo e Uzbequistão. Depois, encerra a primeira fase em Miami, no teste mais complicado do grupo K, contra a Colômbia.

 


Edição EDIÇÃO 16964




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