ESPORTES
Terça-feira, 22 de Junho de 2010, 21h:00
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Parreira se despede com lágrimas
Com os olhos cheios de lágrimas, o brasileiro Carlos Alberto Parreira se despediu ontem das Copas do Mundo. O técnico faz parte da história dos Mundiais e dirigiu seu último jogo ao liderar a África do Sul em uma vitória honrosa contra a vice-campeã do mundo, a França. Os anfitriões sul-africanos deram adeus à sua Copa e passam a ser os primeiros na história dos Mundiais a não se classificar para a segunda fase. "Despedimos do Mundial de cabeça erguida", insistiu Parreira. O técnico não escondeu a emoção quando falou de suas oito Copas do Mundo, das quais participou de seis como treinador. Entrou para a história como o técnico que mais jogos dirigiu nos 80 anos dos Mundiais. Foram 23 partidas como treinador de cinco seleções. Mas, ironicamente, desta vez Parreira obteve sua primeira vitória como treinador de uma seleção estrangeira. Todas as demais haviam sido obtidas com o Brasil, tanto em 1994 como 2006. Além de Brasil e África do Sul, Parreira levou a Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes Unidos para os Mundiais Ontem, ele dava por encerrada sua vida como técnico de seleções. "Eu não tenho mais nada para fazer em Copas. Terminei com uma vitória e isso me gratifica muito", disse. Uma opção poderá ser ainda a de trabalhar como consultor para a seleção sul-africana. Mas baseado no Brasil. Parreira ainda tem convites de dois clubes, ainda que garanta que descansará por seis meses antes de voltar ao trabalho. Ele aposta nos sul-africanos como um dos países classificados para a Copa de 2014. "Quero ser o guia dos sul-africanos no Brasil", disse. Sobre a campanha com a África do Sul no Mundial de 2010, Parreira insiste que se recusa a classificá-la como "um fracasso". "No final das contas, só não nos classificamos por saldo de gol", argumentou. O técnico fez questão de lembrar que a sorte também não esteve a seu lado. Parreira lembrou que, contra o México no jogo inaugural, sua equipe poderia ter vencido se não fosse pela bola que bateu na trave no final do jogo. Ontem, mais uma bola no travessão francês, no que poderia ter sido o terceiro gol e um incentivo para a goleada que era necessária. "Numa Copa, a sorte não basta. Mas também tem horas que precisamos dela", disse. Parreira fez questão de elogiar os sul-africanos e insistir que, nos últimos jogos, apenas foram derrotados contra o Uruguai. O problema é que a derrota custou a classificação. "Saio feliz porque estabelecemos uma fundação para o futebol sul-africano. Começamos a construir uma identidade como seleção. Por isso não podemos falar em fracasso. Apenas em decepção", disse.