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Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2013, 21h:08

CORINTHIANS

Menor confessa ser autor do disparo

Menor se apresenta em São Paulo como sendo o autor do disparo do sinalizador que matou o boliviano Kevim Espada no jogo do Corinthians

Cercado pela imprensa e por curiosos que se aglomeraram na entrada do prédio da Vara de Infância e Juventude de Guarulhos, o jovem que prometeu assumir o disparo de um sinalizador que acertou e vitimou o boliviano Kevin Espada, de 14 anos, prestou depoimento ao juiz Daniel Issler por mais de duas horas ontem e já foi liberado. O torcedor corintiano de 17 anos, membro da organizada Gaviões da Fiel, chegou ao local por volta de 13h50 e deixou o prédio às 16h15, acompanhado de Ricardo Cabral, advogado representante da torcida, e da mãe. Com um boné na cabeça e as mãos escondendo o rosto, o jovem teve a identidade preservada. Sem fornecer maiores informações a respeito do conteúdo do depoimento do possível autor do disparo, o Tribunal de Justiça enviou um representante à porta da Vara de Infância e Juventude para garantir que o juiz Daniel Issler e o rapaz tiveram uma conversa informal e que o caso corre em segredo de Justiça pois o acusado é menor de 18 anos. Segundo Ricardo Cabral, advogado da Gaviões da Fiel e seu representante no caso, há provas de que o jovem comprou os seis sinalizadores que foram levados à Bolívia e entrou no estádio de Oruro na posse de todos eles. Sem conhecimento para manusear o artefato, acabou vitimando Kevin Espada em um acidente que virou tragédia. A expectativa da Gaviões da Fiel é que o depoimento do jovem que assumiu a autoria do disparo auxilie na liberação de 12 torcedores que foram detidos pela polícia da Bolívia – o inquérito da delegacia local arrolou dois deles como responsáveis pelo crime e outros dez como cúmplices, por conta de evidências de pólvora encontradas em suas digitais. Sem torcida - Punido pela morte do garoto Kevin Beltrán Espada, torcedor do San José, o Corinthians será obrigado a mandar seus jogos com portões fechados na Copa Libertadores. O uruguaio Adrian Leiza, responsável por comandar o julgamento do caso na Conmebol, justificou a decisão e disse não crer na saída do clube brasileiro do torneio. “Adotamos uma medida cautelar atendendo à gravidade do caso, a morte de um garoto de 14 anos, no marco do novo regulamento disciplinar”. Antigamente, os problemas de indisciplina dos torneios da Conmebol eram julgados pelo Comitê Executivo da entidade e não costumavam ser punidos com severidade. A partir de dezembro, no entanto, por sugestão da Fifa, o órgão criou um tribunal com cinco membros para cuidar deste tipo de assunto. Como o caso envolve Corinthians e San José, o brasileiro Caio César Rocha, presidente do Tribunal, e o boliviano Alberto Lozada não participarão da decisão. Desta forma, o julgamento será dirigido pelo uruguaio Adrian Leiza. O chileno Carlos Tapia Aravena e o colombiano Orlando Morales também estão aptos a participar. A morte do jovem Kevin, 14 anos, marcou a estreia do Corinthians na Copa Libertadores. Em Oruro, o fã do San José foi atingido por um sinalizador disparado por um torcedor do Corinthians e não resistiu. Um menor de 17 anos, integrante da Gaviões da Fiel, assumiu a autoria do ato e se apresentou às autoridades brasileiras ontem. O recém-criado Tribunal da Conmebol elaborou um novo código disciplinar, mais rigoroso que o anterior. O regulamento é subjetivo, mas realmente prevê eliminação em situações extremas. No entanto, de acordo com a avaliação inicial, isso só aconteceria em casos de violência causada pelos próprios times, não por suas torcidas. Questionado se pode determinar a saída do clube brasileiro da Copa Libertadores, Leiza foi evasivo. “O Tribunal abriu procedimento disciplinar contra o Corinthians. Assim que as provas sejam recolhidas e analisadas, vamos tomar uma decisão definitiva”, limitou-se a dizer. Irritados com a punição de mandar seus jogos com portões fechados, alguns diretores corintianos chegaram a cogitar a possibilidade de abandonar a Libertadores por vontade própria. Adrian Leiza, responsável por comandar o julgamento, não acredita nesta hipótese. “Não posso emitir opinião sobre essa possibilidade. Essa decisão é exclusiva do clube, e não da Conmebol. Não obstante, um clube não pode resolver se retirar de uma competição internacional”, contestou o uruguaio. Em caso de abandono, o regulamento da Copa Libertadores prevê o pagamento de uma multa de cerca de R$ 400 mil a cada um dos outros três times do grupo e de R$ 40 mil à própria Conmebol. Além disso, o clube infrator é excluído pelo menos das próximas três edições do torneio para as quais se classifique.

Edição EDIÇÃO 16959




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