Em uma metáfora perfeita da distância que separa os franceses de sua seleção de futebol, os Azuis, atuais vice-campeões mundiais, retornaram ontem a Paris depois da eliminação precoce na Copa do Mundo da África do Sul sob forte proteção policial para serem mantidos longe do público. A equipe chegou em um avião privado que aterrissou no Aeroporto de Bourget e, sem contato com os poucos torcedores que os aguardavam, os jogadores saíram pelos fundos. O isolamento sintetiza o fim de uma geração e o início de mudanças drásticas, que começarão pela demissão do presidente da Federação Francesa de Futebol (FFF), Jean-Pierre Escalettes. O desembarque aconteceu por volta das 11h30 em Bourget, a 17 quilômetros de Paris, longe dos dois principais aeroportos da Capital. Os jogadores desembarcaram sem nenhum contato com a imprensa e com os cerca de 200 torcedores presentes. "Eles não tiveram nem mesmo direito a uma onda de vaias de reprovação ou de vuvuzelas da vingança", ironizou o torcedor Willem Claessen. Ainda na pista, o grupo se separou. Atletas como Govou, Lloris e Ribery tomaram jatos privados alugados por seus clubes. Já o atacante Thierry Henry foi recebido por uma comitiva e levado imediatamente ao Palácio do Eliseu. Mas ele não foi recebido com honras. Pelo contrário: entrou pelos fundos e reuniu-se com o presidente Nicolas Sarkozy. Nenhum comunicado sobre o teor do encontro foi emitido. O objetivo da reunião era colocar o presidente por dentro dos acontecimentos que resultaram nos conflitos internos na África do Sul. A oposição francesa já começou a fazer barulho por causa do encontro para tratar de um assunto de pouca relevância para o país. A secretária nacional do Partido Verde, Cécile Duflot, atacou: "É lamentável que o presidente transforme a seleção em uma questão de Estado, quando ele ficou tão distante de medidas realmente benéficas para o país", disparou.