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Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008, 22h:16

FMTV devia a hotel desde 1997, o que gerou penhora

RENÉ DIÓZ
Da Reportagem
Um acordo verbal, realizado entre a Federação Mato-grossense de Voleibol (FMTV) e o Hotel Paiaguás, motivou o processo judicial que durou mais de 10 anos e resultou na penhora de R$ 38.854,19 do montante arrecadado com a bilheteria da rodada de quarta-feira, da Copa América de Vôlei masculino, no ginásio Aecim Tocantins. O valor se refere a serviços não-pagos de hospedagem e alimentação de atletas em novembro de 1997, quando a seleção brasileira esteve na Capital para um amistoso. Durante o jogo entre Brasil e México, oficiais de Justiça estiveram no ginásio com um mandado de penhora e intimação expedido por determinação do juiz João Ferreira Filho, da 20ª Vara Cível da Capital. A decisão judicial considerou que, pelo estatuto da FMTV, além de repasses feitos pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), sua fonte de renda seriam eventos como torneios, campeonatos e jogos promovidos pela CBV e pela Federação. Portanto, parte da bilheteria da rodada da Copa América (realizada por ambas) deveria ser penhorada para o pagamento da dívida com o hotel Paiaguás sem quaisquer impedimentos. Os acordos realizados entre a FMTV e o hotel, em 1997, chegaram a incluir preços promocionais para alimentação e hospedagem em 24 apartamentos. Segundo o processo, a defesa da federação afirmou que o pagamento acordado verbalmente poderia ser realizado com a divulgação de peças publicitárias do hotel. Devido à natureza verbal dos acordos entre federação e hotel, fez-se necessário o depoimento de testemunhas no processo. De acordo com as oitivas, a negociação pelos serviços de hotelaria estabeleceu 50% de desconto no preço final das diárias em troca de publicidade do hotel. Na época, o então presidente da FMTV, Gelson Menegatti, chegou a afirmar que promoveria um outro evento para conseguir quitar a dívida. Menegatti não atendeu à reportagem. Sobre a cobrança na “boca do caixa”, Nicanor Lopes, atual presidente da FMTV, aponta que foi provocado um constrangimento desnecessário, justo durante a realização do evento. Ele também afirmou que a federação tentou, desde 1997, negociar a dívida com o hotel, mas sem sucesso. Miguel Zaim, advogado do Paiaguás, diz nunca ter negociado com a FMTV, que também nunca disponibilizou algum bem como garantia de pagamento da dívida. A Confederação Brasileira de Voleibol não teve nada a ver com a penhora da dívida. Em nenhum momento ela esteve envolvida no processo aberto na Justiça mato-grossense.

Edição EDIÇÃO 16960




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