ESPORTES
Domingo, 23 de Junho de 2002, 18h:31
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FÓRMULA-1
Finalmente Rubinho vence Schumacher
Sem interferência da Ferrari, Barrichello venceu o GP da Europa, na Alemanha, de ponta-a-ponta
FLAVIO GOMES
Da Agência Warm-Up Nürburgring, Alemanha
Alguma coisa mudou na Ferrari. Menos de dois meses depois de promover um dos maiores escândalos da história da Fórmula 1 ao obrigar Rubens Barrichello a entregar a vitória no GP da Áustria a Michael Schumacher, o time deixou seus dois pilotos resolverem o destino do GP da Europa. E ao brasileiro foi permitido, finalmente, vencer. Mesmo com o alemão na pista, logo atrás dele. Assim, Rubens ganhou a segunda corrida de sua vida, na mesma Alemanha onde vencera pela primeira vez, em 2000. E não se pode dizer que foi um presente da Ferrari. É verdade que depois da segunda bateria de pit stops de seus dois pilotos o time pediu a ambos que não abusassem da sorte, numa pista de ultrapassagens difíceis. Mas se Schumacher aliviou, Barrichello fez o mesmo. A vitória foi merecida, e definida na largada. O brasileiro foi "driblando" seus adversários durante a primeira volta no renovado circuito de Nürburgring, palco da nona etapa do Mundial de Fórmula 1. A Williams, que tinha dois pilotos na primeira fila, saiu para fazer apenas uma parada, com carros pesados. Rubens aproveitou a chance, com seu carro mais leve, e fechou a primeira volta na liderança. De lá não saiu mais. Schumacher só conseguiu se livrar de Juan Pablo Montoya, o pole, e do irmão Ralf na terceira volta. Na quarta, estava em segundo, 2s8 atrás do companheiro. A diferença foi caindo, até 0s7 na 22ª volta. Mas então Michael cometeu um erro, rodou e perdeu o contato com o brasileiro. "Até aquele momento eu estava tentando de tudo para chegar nele", contou o alemão. "Mas errei, e Rubens não cometeu um erro sequer, fez uma corrida soberba. Mereceu vencer, e eu mereci chegar em segundo. Fizemos uma corrida aberta, eu perdi porque rodei." Michael parou na volta 24, Barrichello na seguinte. Voltou 8s3 à frente do alemão. De novo Schumacher encostou, mas nunca o bastante para ameaçar a posição do líder. Novo pit stop na volta 43, e nova parada de Rubens na 45. De novo o brasileiro voltou na frente, e as últimas 15 voltas deixaram no ar apenas uma pergunta: será que a Ferrari vai ordenar uma nova marmelada? Não ordenou. E a imagem mais emblemática do dia foi do pitwall da equipe, onde estava Ross Brawn, o estrategista do time. Percebendo que as câmeras de TV o focalizavam para flagrar uma possível troca de posições, o inglês pegou uma banana. Descascou e comeu. Sem muita sutileza, mandou uma banana literal para o mundo, como quem dissesse "aqui quem manda somos nós". E mandam mesmo, como mandaram Schumacher não forçar, e ele não forçou. "Aqui não havia chance de ultrapassagem. Eu acelerei tudo que pude até o segundo pit stop e não consegui. Então o time pediu para os dois tomarem cuidado para não corrermos riscos. E é claro que, se ele tirou o pé, eu tirei também. Não seria justo ele diminuir e eu aproveitar para passar." Desta forma, volta-se à afirmação que abre este texto: o que, então, mudou na Ferrari? Mudou que quarta-feira tem julgamento na FIA da presepada de Zeltweg, e a repetição da vergonha de 12 de maio poderia ter consequências ruins. Mudou que na Áustria, sexta etapa do campeonato, a vantagem de Schumacher para Montoya, o vice-líder, era de 27 pontos. Agora, com nove corridas disputadas, é de 46 para Ralf, o atual segundo colocado. "Nossa situação agora é bem mais confortável", reconheceu, finalmente, Schumacher. "Naquele momento, não fomos arrogantes para achar que o título já estava decidido. Não vou dizer que já somos campeões, mas a vantagem aumentou, Ralf chegou em quarto, Montoya não pontuou, e levamos isso em consideração."