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ESPORTES
Segunda-feira, 30 de Março de 2009, 20h:44

ELIMINATÓRIAS

Dunga conta com apoio da torcida

Jogando em seu estado, o técnico brasileiro espera que a torcida ajude a seleção a conquistar uma boa vitória diante do Peru

LUÍS AUGUSTO MONACO
Da Agência Estado – Porto Alegre, RS
Bastou respirar o ar do Rio Grande do Sul para Dunga se encher de confiança e adotar um discurso de patriotismo. Na coletiva que deu duas horas depois de chegar da mirabolante viagem que transportou a seleção brasileira de Quito para a capital gaúcha, com escala em Florianópolis, ele mostrou-se convicto de que coros pouco edificantes como "Adeus, Dunga!" ou "Dunga, seu jumento!", que foram moda nos estádios brasileiros em que a seleção jogou pelas Eliminatórias no ano passado, serão substituídos amanhã por gritos de apoio a ele e à equipe nacional. Dunga aproveitou o fato de estar em sua "aldeia", como se referiu a Porto Alegre, para afirmar que em termos de medicina esportiva e fisiologia o Brasil dá um banho na Europa - numa clara crítica ao tratamento no pé esquerdo que Kaká recebeu no Milan. A senha para o treinador fazer a apologia do povo gaúcho foi quando lhe perguntaram se não temia por vaias caso a seleção demorasse a engrenar no jogo contra o Peru, no Beira-Rio. "Pelo que conheço da minha aldeia, isso não vai acontecer. O povo gaúcho é de luta e tem tradição de acreditar nas coisas positivas. A seleção sempre foi bem recebida aqui e sempre teve o apoio do público, mesmo quando o momento era difícil. Desta vez não será diferente, tenho certeza disso." Depois de elogiar o seu povo, Dunga tratou de elogiar a si mesmo. E vangloriou-se por não ter perdido para o Equador em Quito, embora seu time tenha sido sufocado durante todo o tempo. "Nas últimas quatro Eliminatórias, o Brasil só não perdeu lá duas vezes. E nas duas eu e o Jorginho (seu auxiliar) estávamos presentes (no 0 a 0 de 1993, em Guayaquil, eles eram jogadores). E nesses quatro jogos nunca o Brasil criou tantas chances para marcar como no de ontem (domingo)." O capítulo seguinte foi a alfinetada aos médicos europeus, usando como exemplo a situação de Kaká. "Ele ficou cinco semanas em tratamento no Milan e não chegou aqui em boas condições. Mas com poucos dias de trabalho na seleção já ficou bom. E aqui não colocamos ninguém em campo no sacrifício, porque pensamos muito no jogador. Afinal de contas, ele está aqui emprestado pelo Milan, que é quem paga o seu salário. Se o clube, que gasta tanto com o jogador, acha que vale a pena correr o risco de utilizá-lo mesmo se ele não estiver em suas melhores condições, não podemos fazer nada." Dunga disse que, embora o Brasil não seja considerado um país de Primeiro Mundo, tem motivos de sobra para se orgulhar do nível de excelência de sua medicina esportiva e de seus fisiologistas. "Neste aspecto somos muito mais desenvolvidos, temos testes para avaliar o desgaste do jogador que eles (os europeus) não conhecem." Por essa confiança na equipe médica da seleção, ficou definido que o lateral Maicon ficará fazendo tratamento em Porto Alegre e só voltará para Milão na quinta-feira, mesmo já estando vetado para o jogo contra o Peru por causa da lesão na coxa direita que sofreu em Quito. Na cruzada nacionalista do treinador sobrou até para um desavisado jornalista italiano. Como era o único estrangeiro da sala, o repórter se esforçou para fazer a pergunta em "portunhol" para poder ser compreendido por todos. Ele queria saber se na quarta-feira poderia ser a noite de Pato, já que o jogo será no estádio em que o garoto nasceu para o futebol. Embora fale italiano fluentemente, por ter jogado no Pisa e na Fiorentina, Dunga mandou a bordoada em português mesmo: "Pode ser a noite de qualquer jogador que está aqui. Como só se interessa em puxar notícias para a Itália, talvez você não saiba que o nosso artilheiro nas Eliminatórias é o Luís Fabiano", disparou.

Edição EDIÇÃO 16964




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