ESPORTES
Quinta-feira, 07 de Agosto de 2008, 21h:37
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FESTA DE ABERTURA
China abre os Jogos
A cerimônia vai começar pontualmente às 8h08, no horário mato-grossense, dos Jogos que custaram aos cofres chineses US$ 40 bilhões e promete encantar o mundo
CLÁUDIA TREVISAN
Da Agência Estado Pequim, China
Quando o presidente Hu Jintao declarar aberta a 29ª edição dos Jogos Olímpicos da era moderna, exatamente às 20h08 de Pequim de hoje (8h08 da manhã em Mato Grosso), ele estará dando início não apenas aos mais grandiosos Jogos da história, mas também ao mais caro exercício de relações públicas de que se tem notícia. A China investiu o valor recorde de US$ 40 bilhões na preparação de Pequim para as competições e pretende transformar o evento na coroação do vertiginoso processo de crescimento e integração ao mundo que vive há três décadas. A China que chega à Olimpíada é dona da terceira maior economia do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e Japão. Se continuar a se expandir no ritmo atual, chegará ao primeiro lugar por volta de 2030, quando deverá ser o principal contrapeso ao poder global dos norte-americanos. Pequim também deverá marcar a rápida ascensão da China no terreno esportivo. As previsões indicam que os chineses poderão ultrapassar os norte-americanos e vencer o maior número de competições, ainda que por uma margem mínima. Se não superarem, pelo menos ficarão bastante próximos dos Estados Unidos. Como o quadro de medalhas costuma refletir a situação geopolítica mundial, o resultado seria mais um ingrediente na exibição pela China de suas credenciais de nova potência global - o país já faz parte do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, possui armas nucleares e foi o terceiro a enviar uma missão tripulada ao espaço, depois de Estados Unidos e Rússia. Os números relacionados à Olimpíada de Pequim são superlativos, como quase tudo o que diz respeito ao país mais populoso do mundo. O evento reunirá o maior número de atletas e países da história - 11.500 e 205, respectivamente - e será coberto pelo maior número de jornalistas já enviado para uma Olimpíada. A expectativa é que 4 bilhões de pessoas em todo o mundo assistam às competições pela TV. Escolhida como sede dos Jogos em 2001, Pequim mergulhou em uma reengenharia urbana que levou à duplicação de suas linhas de metrô, para 200 quilômetros, à abertura de novas ruas, à devastação de bairros antigos e à construção de novas regiões. Cerca de 1,5 milhão de pessoas tiveram suas antigas casas destruídas nesse processo e foram obrigadas a se mudar. A cidade também ganhou edifícios monumentais, que têm a missão de transmitir ao mundo uma imagem de modernidade, avanço tecnológico e ousadia da China ascendente. Por ironia, quase todos foram desenhados por renomados arquitetos estrangeiros, escolhidos em concursos internacionais dos quais os chineses não puderam nem participar. O Estádio Olímpico, batizado de Ninho do Pássaro, foi concebido pela dupla de arquitetos suíços Jacques Herzog e Pierre de Meuron, enquanto seu vizinho Cubo D'Água, palco das competições aquáticas, ficou a cargo do escritório australiano PTW. Fora do complexo olímpico, a cidade ganhou um imenso teatro em forma oval, projetado pelo francês Paul Andreu, e um novo aeroporto que está entre os maiores edifícios do mundo, desenhado pelo britânico Norman Foster. O holandês Rem Koolhaas se encarregou da extravagante sede da televisão estatal CCTV, com o qual a China pretende elevar a emissora ao mesmo patamar que a britânica BBC - com a diferença de que a rede chinesa é submetida ao estrito controle da censura oficial.