ESPORTES
Quarta-feira, 09 de Julho de 2014, 20h:10
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NA FINAL
Argentina volta à final nos penais
Messi não saiu de campo como herói e sequer fez uma boa apresentação, mas viu Romero se transformar em herói defendendo dois pênaltis
Há 198 anos, a Argentina proclamou a independência do domínio espanhol. No mesmo 9 de julho, mas em 2014 e em terras brasileiras, o país se tornou independente de quem, na verdade, o orgulha. No estádio de Itaquera, a seleção ficou no 0 a 0 com a Holanda no tempo normal e na prorrogação e, nos pênaltis, chega pela primeira vez a uma final de Copa do Mundo desde a aposentadoria do eterno ídolo Maradona. Argentina e Holanda escolheram estratégias diferentes para anular o astro adversário. Enquanto Louis Van Gaal ordenou a De Jong que não ficasse nunca a mais de dois metros de Messi, Alejandro Sabella cumpriu sua promessa de aproximar laterais e zagueiros para não dar espaço para as arrancadas de Robben. Os laranjas, por sua vez, tinham Robben bem anulado e Sneijder só tinha a passagem de Wijnaldum como opção, já que Van Persie se mostrava bem confortável diante da marcação adversária, não se mexendo para aparecer nas costas da zaga, como fez com perfeição ao fazer um golaço de peixinho na estreia da Copa, sobre a Espanha. Nesse duelo tático, os times se mexiam em bloco de uma intermediária a outra, sem conseguir espaço para finalizar ou levar perigo. O primeiro perigo só veio aos 12 minutos, quando Mascherano errou saída de bola e Kuyt ajeitou para Sneijder finalizar perto do gol de Romero. Do outro lado, Romero foi parado com falta e Messi cobrou forte, nas mãos de Cillessen, aos 14. A primeira equipe a se mexer para escapar das marcações foi a Argentina. Sabella inverteu os posicionamentos de seus dois pontas e Lavezzi começou a dar trabalho pela direita, sendo acionado diretamente por Mascherano. Forçando por ali, gerou preocupação e escanteio que Garay desviou com peixinho rente ao travessão, aos 23. Em meio à tensão, Cillessen despertou risos holandeses dando drible humilhante em Higuaín dentro da área. Os argentinos ainda levaram um susto quando Mascherano caiu totalmente grogue no gramado e precisou de dois minutos para se recuperar completamente e continuar em campo sem gerar preocupação. Preocupado em bater, o zagueiro holandês levou amarelo e deixou Higuaín livre na grande área. Para sua sorte, nos acréscimos do primeiro tempo, Pérez não conseguiu cruzar para o centroavante, mas Van Gaal abriu mão de seu defensor, um sério risco de expulsão, e deu mais opções ofensivas à equipe. O time laranja voltou do intervalo com Janmaat, com gás para marcar e atacar mais. Kuyt passou a jogar na ala esquerda e Blind virou zagueiro. O esquema não mudou, mas as novas peças permitiam à Holanda marcar mais na frente e dificultar o toque de bola argentino, que já não encontrava mais Lavezzi à disposição para criar problemas pela direita. Robben não conseguiu arrancar nem Van Persie aparecia, mas os europeus tinham o domínio do jogo por verem que a Argentina só tentava atacar forçando jogadas individuais, e até Messi era desarmado com tranquilidade. Van Gaal, então, priorizou o toque de bola, trocando o cansado De Jong por Clasie. O time laranja que só gosta de contra-ataque tabelava como queria na intermediária rival. Sem, contudo, levar real perigo. Até que, aos 45 minutos do segundo tempo, Robben teve a sua primeira chance real. A Holanda tocou a bola até Sneijder tabelar com o atacante e ajeitar de calcanhar para o camisa 11 na área, demorar a finalizar e, já de frente para Romero, parar em impressionante recuperação de Mascherano, autor de carrinho que salvou seu país na pequena área. No início da prorrogação, Argentina apertou a saída de bola holandesa, mas Cillessen mal precisava trabalhar porque mesmo Messi não acertava quase nada sob frio e chuva em Itaquera. Do outro lado, Van Gaal abriu mão da especialidade do goleiro reserva Tim Krul para defender pênaltis e mostrou que queria definir o jogo com a bola rolando sacando o imperceptível Van Persie para apostar em Huntelaar. Sabella, por sua vez, gastou sua última substituição pensando em preencher o meio-campo com alguém mais descansado, trocando o esgotado Lavezzi por Maxi Rodriguez. O meia, contudo, virou um dos sete ou oito jogadores que ficavam atrás da linha da bola para ver o toque de bola holandês. Os sul-americanos não apostavam em nada além de contra-ataques, todos ineficientes. Mas, em meio ao cansaço dos dois times, Palacio quase levou Sabella ao infarto. Aos nove da última etapa do jogo, o atacante, sozinho na grande área, cabeceou a bola nas mãos de Cillessen. Minutos depois, Messi acordou e deixou Maxi Rodriguez em condições de evitar os pênaltis, mas foi mais um a facilitar o trabalho do goleiro holandês. Nas cobranças, contudo, nenhum argentino ajudou o arqueiro europeu, que viu Messi, Garay, Aguero e Maxi Rodriguez balançarem as suas redes. Do outro lado, Romero parou Vlaar e Sneijder para garantir um sul-americano em decisão de Copa pela primeira vez desde 2002, quando o Brasil foi pentacampeão. HOLANDA 0 (2) Cillessen; De Vrij, Vlaar e Martins Indi (Janmaat); Kuyt, De Jong (Clasie), Wijnaldum, Sneijder e Blind; Robben e Van Persie (Huntelaar). Técnico: Louis Van Gaal ARGENTINA 0 (4) Romero; Zabaleta, Demichelis, Garay e Rojo; Mascherano e Biglia; Pérez (Palacio), Messi e Lavezzi (Maxi Rodríguez); Higuaín (Aguero). Técnico Alejandro Sabella Local: Estádio de Itaquera, em São Paulo (SP) Árbitro: Cuneyt Cakir (Turquia) Assistentes: Bahattin Duran e Tarik Ongun (ambos da Turquia) Público: 63.267 pessoas Cartões amarelos: Martins Indi e Huntelaar (HOL); Demichelis (ARG) Penalidades: Robben e Kuyt converteram para a Holanda; Vlaar e Sneijder desperdiçaram; Messi, Garay, Aguero e Maxi Rodríguez converteram para a Argentina