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Editoriais
Segunda-feira, 01 de Agosto de 2011, 21h:35

Várzea Grande

Defasada e em muitos casos na contramão da modernidade, a legislação brasileira em algumas situações tem mais efeitos maléficos colaterais do que benefícios produzidos por sua aplicação. O município de Várzea Grande testemunha um ciclo de insegurança administrativa sem precedente na história mato-grossense. Decisões políticas da Câmara de Vereadores e do Poder Judiciário afastaram o prefeito Murilo Domingos transferindo suas funções ao vice-prefeito Sebastião Gonçalves (Tião da Zaeli) – ambos eleitos pelo PR -; também afastaram Tião da Zaeli delegando a prefeitura ao presidente da Câmara, João Madureira. Esse vaivém no poder passou várias vezes pelo prefeito e tem mais um ato. Ontem, Murilo Domingos foi afastado da pelo juiz Onivaldo Budny, de Várzea Grande, acatando pedido do Ministério Público que o acusa de contratação irregular de servidores; com a sentença de Budny o vice-prefeito Tião da Zaeli reassume a administração. Sentença judicial tem que ser cumprida. A população várzea-grandense, resignada, até agora acatou todas as decisões do Judiciário no tocante ao entra e sai de prefeitos. Porém, desiludidos, moradores dão sinais de indignação contra tantas mudanças que nunca são definitivas e que involuntariamente promovem rodízio no poder dentro do quadriênio administrativo em curso. Tantas foram as mudanças de prefeito em Várzea Grande, que a administração está prejudicada e esse prejuízo não será recuperado ao longo dos mandatos municipais em curso. Várzea Grande é município pequeno territorialmente, complexo e com a maior densidade demográfica de Mato Grosso: 284,45 habitantes por quilômetro quadrado. Os 252.596 várzea-grandenses se concentram praticamente na cidade. A complexidade de Várzea Grande a deixa permanentemente numa encruzilhada administrativa: qualquer deslize ou mudança de enfoque administrativo tem grande reflexo sobre a população. Toda vez que o prefeito é substituído inevitavelmente o sucessor adota seu estilo pessoal e isso se traduz em obras inacabadas, lançadas e não concluídas, ou simplesmente descartadas em sua fase de projeto. O vaivém dos prefeitos praticamente sepultou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Saneamento. Várzea Grande lança esgoto sem tratamento ao rio Cuiabá, tem problema com abastecimento de água e não consegue identificar os responsáveis por esse cenário. Justiça tem que ser rápida e eficiente sem prejuízo do amplo direito de defesa. Justiça não pode ser tardia. Justiça não pode ser flexível. Administração pública tem que ser exercida pelos eleitos e, na ausência, morte ou impedimento, por seus sucessores. Várzea Grande está perplexa. Sabe quem amanhece prefeito, mas desconhece quem encerra o expediente à frente de sua administração. Várzea Grande sabe que a Justiça pode destituir prefeito do cargo e devolve-lo ao poder, são não sabe até quando continuará esse efeito sanfona. Várzea Grande está perplexa. Sabe quem amanhece prefeito, mas desconhece quem encerra o expediente

Edição EDIÇÃO 16968




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