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Terça-feira, 03 de Junho de 2014, 20h:23

Silval fala

Depois de 15 dias no silêncio, o governador Silval Barbosa (PMDB) fez ontem o que se espera de um chefe do Poder Executivo envolvido em uma investigação de peso como a operação Ararath. Ele se reuniu com os chefes dos demais poderes, além do presidente do TCE, em seu gabinete, no Palácio Paiaguás, para dar explicações sobre o episódio. Em seguida, atendeu jornalistas em uma entrevista coletiva cercada de certa tensão. Silval se defendeu das acusações e disse estar preocupado com eventuais “abusos e falhas” no curso da apuração do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. E falou seguindo a tese de seus advogados, de que houve erro na condução das investigações. Tese, aliás, que já está sob apreciação do Supremo Tribunal Federal, onde ele entrou com três petições. O governador ainda demonstrou descontentamento com o fato de um ex-secretário de Estado ser apontado como o principal operador do esquema de lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro, alvos da operação. Silval afirmou que conhecia Gércio Marcelino Mendonça Júnior, o Júnior Mendonça, o pivô do esquema investigado. Ele, no entanto, se recusou a falar sobre os empréstimos que supostamente teria contraído junto ao “banco clandestino” operado pelo empresário, sob o argumento de que o caso está sob segredo de Justiça. Ele usou a entrevista, também, para negar que tenha a intenção de renunciar ao cargo por conta dos desgastes provocados pela Operação. “Essa renúncia é uma mentira que tentaram propagar. Em momento algum eu cogitei isso”, assegurou. Nos últimos dias, de fato, ganhou força nos bastidores políticos o boato de que o governador deixaria o cargo. Silval Barbosa pode até não ter dissipado as suspeitas que pesam sobre sua conduta e de seu ex-auxiliar. É do jogo democrático que seja assim. Mas ele precisava vir a público falar com a população que o elegeu. Dizer a ela o que se passou em seu governo e defender seus atos. Se não serviu para exterminar as suspeitas, a entrevista ao menos acabou com a insegurança que passou a pairar sobre o Paiaguás desde que surgiram os boatos sobre uma eventual renúncia. Pior do que um governo sob suspeita é um governo sob suspeita e na iminência do fim. Ele precisava vir a público falar com a população que o elegeu

Edição EDIÇÃO 16964




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