Cuiabá atravessa fértil período otimista com os preparativos e as obras para a realização dos jogos da Copa do Pantanal em 2014, maior evento do futebol mundial e que será importante vitrine para mostrar as belezas naturais mato-grossenses ao turismo internacional. A quase tricentenária cidade de Moreira Cabral ganha novo e moderno estádio ou arena, que somado ao Ginásio Poliesportivo Professor Aecim Tocantins a colocará no topo continental da infraestrutura esportiva. O projeto de mobilidade urbana modernizará o sistema de trânsito e transporte em Cuiabá e Várzea Grande, desafogando os crônicos congestionamentos nas duas cidades com a construção de um conjunto de obras de engenharia civil em ruas, avenidas e rotatórias. O transporte aéreo será contemplado com a ampliação e modernização do Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande, que é a principal porta de acesso turístico de Mato Grosso. Rodovias no entorno do aglomerado urbano Cuiabá/Várzea Grande estão em obra de duplicação. Os setores de saúde e segurança pública ganham importantes investimentos. Enfim, as duas principais cidades mato-grossenses estão virando importante página do processo desenvolvimentista ora compartilhado por ambas. O ritmo da transformação das duas cidades para receber os jogos da Copa do Pantanal não abre agenda para manifestação de sentimento, pois absorve o tempo das autoridades encarregadas de sua execução. Porém, independentemente dos trabalhos e planejamentos em curso a figura do Estado tem que seguir sua rotina e, nela, encontrar tempo para se encontrar com o ontem que originou a Cuiabá ora fervilhante e importante Capital no Centro-Oeste. Seria por demais injusto com a história institucional mato-grossense se Cuiabá deixasse de reverenciar o marechal Eurico Gaspar Dutra, seu único filho que exerceu a presidência da República e, que nessa função conseguiu trazer pela primeira vez para o Brasil uma edição da Copa do Mundo da Fifa. Dutra foi o grande responsável pela Copa do Mundo de 1950 e para viabilizá-la determinou a construção no Rio de Janeiro do Estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã, que ao longo de décadas ostentou o título de maior e mais belo estádio do planeta. Em sua terra o presidente cuiabano é figura relegada. Seu nome fica restrito ao acanhado Estádio Presidente Dutra ou Dutrinha, que não terá nenhuma vinculação com a Copa do Pantanal e, que após a construção da nova arena será inevitavelmente demolido. Em clima de Copa do Pantanal Cuiabá terá que se reencontrar com suas origens e não poderá continuar mantendo na galeria do esquecimento o cuiabano e ex-presidente da República Eurico Gaspar Dutra que foi picadeiro para trazer este evento ao Brasil. Se as autoridades refletirem sobre a necessidade de se reverenciar a memória de Dutra, Cuiabá terá uma Copa também historicamente perfeita. Em caso contrário, por maior que seja o brilhantismo do evento, ficará no ar um quê de incompreensão. Em clima de Copa do Pantanal Cuiabá terá que se reencontrar com suas origens