O ousado assalto ao Banco do Brasil em Aripuanã, na quarta-feira desta semana, além do crime em si, soa como duro recado do crime organizado aos órgãos da Segurança Pública em Mato Grosso. Ação planejada, com demonstração de poder de fogo e que deixava claro que os marginais não hesitariam em matar para levar adiante o assalto ou até mesmo para não serem presos, a investida contra a agência bancária em Aripuanã fez duas revelações: o crime organizado age no vácuo do Estado e as autoridades não contam com estrutura para o enfrentamento desse tipo de atuação, que se torna corriqueira nos municípios mato-grossenses distantes da concentração policial existente em Cuiabá e Várzea Grande. Os assaltantes sabiam que naquela data a agência movimentaria grande cifra porque se tratava de dia de pagamento de operários da construção de uma hidrelétrica e de servidores, e que o Banco do Brasil teria que manter em seus cofres quantia elevada porque não existe cidade nas proximidades para suprir eventual demanda por numerário. Certamente os assaltantes sabiam que teriam bom apoio logístico de morador ou moradores locais, ou ainda de alguém da quadrilha plantado na cidade algum tempo antes, para conhecer rotas de fugas, capacidade de reação policial e outros fatores indispensáveis aos que praticam tais tipos de ação. De um lado os assaltantes dominavam o cenário do crime. De outro a Secretaria de Justiça e Segurança Pública desconhecia o que se tramava e não montou esquema especial para o dia do assalto, que seria atípico no funcionamento da agência. O cruzamento dessa realidade facilitou o ataque ao Banco do Brasil. Seria utópico imaginar que a polícia poderia criar um grupo de segurança ao sistema bancário, capaz de impedir todos os assaltos aos bancos. Porém, é plenamente factível reduzir esse tipo de ação, desde que a principal arma utilizada para tanto seja a Inteligência, mas sem descartar a presença ostensiva de policiais militares nos chamados pontos vulneráveis. Não é segredo para ninguém que as quadrilhas visam mais as agências do interior em dias de maior movimentação financeira. Esse indicativo deixava o Banco do Brasil em Aripuanã na mira dos bandidos. No entanto, por falta de troca de informações entre bancários e policiais, ou por outra razão qualquer, não se montou esquema especial de patrulhamento no entorno do prédio da agência. A presença da polícia fardada e com viaturas na área, inibiria, dificultaria ou até mesmo demoveria os bandidos de levarem adiante o plano do assalto. Se tal policiamento houvesse e se a Inteligência tivesse atuado no monitoramento de pessoas estranhas ao pequeno núcleo urbano de Aripuanã por um período satisfatório, tal assalto não teria acontecido. No entanto, mais uma vez o crime venceu a Segurança Pública. As quadrilhas visam mais as agências do interior em dias de maior movimentação financeira