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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

Editoriais
Sábado, 31 de Maio de 2008, 13h:56

Produtores de vida

Nenhuma pressão do governo federal sobre determinado setor econômico é irreversível. Porém, sempre que a União cede, não o faz com a mesma intensidade adotada ao pressionar. Ou seja, cada estrangulamento deixa seqüelas. A economia mato-grossense conhece bem essa regra. Atualmente a maior pressão sobre Mato Grosso é na esfera ambiental. Figuradamente pode se dizer que a União toca uma sanfona. Abre o fole ao extremo, mas se recusa a fechá-lo por completo. Todos os elos da cadeia do agronegócio sentem os impactos diretos dessa ação, e o conjunto da sociedade, pelo efeito cascata, também é atingido. A tensão é tamanha, que o presidente em exercício da Federação da Agricultura e Pecuária (Famato), Rui Prado, dirigindo-se aos agropecuaristas desabafou em seu pronunciamento na abertura do maior evento entre quatro paredes da pecuária nacional, o Enipec, que “não somos apenas predadores ambientais. Somos produtores de vida”. A relação da União com a economia mato-grossense não mudará. Permanecerá tensa, ora em maior ora em menor intensidade. Esse cenário resulta da importância geopolítica do Brasil, que deve satisfações internacionais, o que leva ao torniquete sobre o maior celeiro agrícola mundial, Mato Grosso. O meio ambiente sempre será a chave para fechar a porta ao desenvolvimento mato-grossense. O Brasil enfrenta pesadas barreiras econômicas dos grandes blocos mundiais, todas camufladas sob a bandeira do verde. A velha e carcomida Europa não tem poder de competitividade com as commodities de Mato Grosso. No cenário rural, por mais subsídios que injete em seus agricultores, os Estados Unidos perdem para a competência do pessoal de Lucas do Rio Verde, Sorriso, Sapezal, Rondonópolis e outros pólos. Pressões internas e externas não faltarão. O agropecuarista mato-grossense sabe disso. Para tanto terá que se desdobrar criando novos mecanismos que o levem à maior produtividade em menor área possível, em nome da chamada redução da pressão do agronegócio sobre a Amazônia. O Enipec mostrou bem a realidade mato-grossense dentro e fora das cercas das propriedades rurais. Deixou claro que o objetivo do pecuarista é produzir com sustentabilidade. Também foi palco para o governador Blairo Maggi revelar que lançará uma política de fortalecimento da racionalidade do uso do solo com o casamento da pecuária com a agricultura. Participantes do Enipec deixam claro que há convergência em defesa de uma pecuária cada vez mais sustentável e suficientemente forte para suportar as injustas e absurdas pressões permanentemente lançadas sobre o pecuarista. “Há convergência em defesa de uma pecuária cada vez mais sustentável”

Edição EDIÇÃO 16960




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