Editoriais
Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2016, 20h:21
A
A
Pressão da inflação
Com a pressão da conta de luz, da gasolina e das refeições fora de casa, o país voltou a fechar um ano com inflação em dois dígitos, o que não ocorria desde 2002. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) finalizou 2015 com alta de 10,67%, mostrou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2014, a taxa foi bem menor, de 6,41%. A inflação oficial do país foi influenciada principalmente pelos custos relacionados à habitação, que subiram 18,31%, puxados pela fatura de energia, o vilão no bolso do brasileiro em 2015, com reajuste médio de 51% no país. Individualmente, o item que apareceu como segundo maior peso foi a gasolina, 20,10% mais cara. O mínimo que o governo precisa fazer diante da inflação anual de quase 11% em 2015, muito acima da meta oficial de 6,5%, é reconhecer os equívocos que levaram a um índice tão elevado e comprometer-se a evitar sua repetição em 2016. Um bom começo pode ser uma análise profunda das causas da elevação do percentual, que já vinha pesando há algum tempo no cotidiano dos brasileiros. Até porque elas deverão estar bem explicitadas na carta aberta a ser enviada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) ao Ministério da Fazenda, justificando o não cumprimento da meta. Em boa parte, os sinais de empobrecimento no bolso da população, de maneira geral, devem-se a erros do próprio governo na condução da política econômica. Entre os equívocos estão o populismo tarifário, incluindo o praticado na área de energia elétrica, em consequência de uma redução equivocada na conta de luz ainda em 2013, e o represamento dos preços dos combustíveis até as últimas eleições, com o objetivo nítido de maquiar a inflação e evitar desgastes perante a sociedade. Ao contrário dos governantes, de maneira geral, os contribuintes que custeiam a máquina pública com seus impostos sabem o que significa lidar com um orçamento apertado. Tentativas de manipulação de índices como o de inflação acabam sempre impondo um custo elevado demais para os brasileiros, particularmente para os de menor renda. E essa é uma das razões, entre tantas, para que esse tipo de prática não venha a se repetir.