Editoriais
Terça-feira, 17 de Abril de 2012, 21h:09
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Participação de todos
Com a frota aumentando ano a ano sem que houvesse grandes investimentos no setor de trânsito, Cuiabá chegou ao ponto em que se encontra, o que a faz enfrentar grandes congestionamentos nas vias expressas e nas rotatórias, inclusive fora do horário de pico. Cidade que surgiu em 1719 e que se espalhou sem planejamento urbanístico pela região central e bairros em seu entorno, Cuiabá cresceu ao longo de quase 300 anos desordenadamente. Para agravar esta situação, na década de 1980 e em parte dos anos 1990 ocorreram muitas invasões de terrenos urbanos, que mais tarde se transformariam em bairros com traçados irregulares, o que arrastou para a periferia o problema de trânsito que aflige a área central. O município não tem recursos orçamentários para solucionar o problema do trânsito. O Estado também, não, e ainda que dispusesse de caixa não poderia fazê-lo porque comprometeria o curso de sua administração que necessariamente tem que observar o princípio da abrangência sem privilegiar nem excluir nenhum dos 141 municípios. O peso político de Mato Grosso no Congresso Nacional é pequeno, porque em Brasília prevalece a força quantitativa das bancadas parlamentares, o que deixa os 11 representantes mato-grossenses em desvantagem com os grandes estados e com o bloco nordestino que fecha questão em todos os temas de interesse daquela região ou especificamente de alguma de suas unidades integrantes. A única saída para a solução do trânsito em Cuiabá é a execução das obras de mobilidade urbana, que serão canalizadas para a cidade em nome da realização de jogos da Copa do Pantanal em 2014, na Arena Multiuso Pantanal, em fase adiantada de construção. As obras de mobilidade urbana interferirão na rotina da cidade, causarão sérios transtornos ao trânsito e serão realizadas sob um clima de motoristas tensos com a morosidade de seus deslocamentos. Portanto, antes que comecem os bloqueios e desvios, governo e prefeitura precisarão realizar campanhas de conscientização, promover palestras e adotarem outros procedimentos para que o motorista se prepare para um período atípico. Certamente todos os cuiabanos querem a melhoria do trânsito. Porém, para consegui-la todos terão que dar sua cota de colaboração, para que as obras transcorram em harmonia, dentro do cronograma. Esta colaboração tem vários modos para ser expressa: o transporte solidário entre vizinhos; a procura de outros caminhos, ainda que mais longos; sempre que possível à alteração do horário de ida e volta do trabalho; e, sobretudo, paciência ao volante. O caos existe e será agravado durante as obras nas vias expressas, em busca da funcionalidade do sistema viário. Que todos saibam compreender a magnitude da mobilidade urbana que chega em nome da Copa do Pantanal de 2014, mas que na verdade será a porta que abrirá passagem a quase tricentenária Cuiabá do bandeirante Moreira Cabral rumo ao amanhã, com qualidade de vida, trânsito moderno e humanizado. As obras de mobilidade urbana interferirão na rotina da cidade