Editoriais
Segunda-feira, 04 de Dezembro de 2006, 20h:21
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O pacote do crescimento
Preocupado em conter a expansão dos gastos públicos e, ao mesmo tempo, em fazer o país crescer em torno de 5% a partir do próximo ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou a analisar formalmente as alternativas de sua equipe para tornar as metas viáveis. As duas pretensões são compromissos assumidos pelo presidente da República durante a campanha para a reeleição. E, embora a consecução desses objetivos seja um anseio da imensa maioria dos brasileiros, a equipe econômica precisará recorrer ao máximo de eficiência para torná-los realidade. Um dia antes da primeira reunião oficial para debater o tema, economistas do próprio Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), do Ministério do Planejamento, divulgaram estudo duvidando da capacidade de o país crescer nos níveis pretendidos antes de 2017. As razões vão desde problemas no setor elétrico até a baixa taxa de investimento, conforme o texto, que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, se apressou em contestar por considerar que as condições para crescer 5% "estão dadas". A vantagem do alerta, de qualquer forma, é a de chamar a atenção para o aspecto de que não há fórmulas fáceis para uma expansão nesses níveis num país com tantas barreiras a remover, como é o caso do Brasil. Menos mal que, nas discussões preliminares sobre o pacote do crescimento, o governo federal não pense em incluir apenas mudanças destinadas a conter a expansão dos gastos e a assegurar as receitas. Até o final do ano, a intenção é anunciar também um conjunto de medidas na área de infra-estrutura. Entre os objetivos, estão justamente aumentar a oferta de energia elétrica e melhorar a eficiência de portos e aeroportos, além de construir e reformar estradas e ferrovias. Sem atenção especial à logística, o risco é o de uma nova frustração no crescimento, como costuma ocorrer historicamente. O país precisa expandir sua economia de forma sustentada. O governo age corretamente ao se preocupar, antes mesmo de janeiro, em definir uma estratégia de desenvolvimento com estabilidade. Ainda assim, é importante que possa ir além, buscando uma base de apoio parlamentar sólida para aprovar reformas estruturais sem as quais o Produto Interno Bruto (PIB) continuará evoluindo em percentuais irrisórios. Entre as reformas estão a previdenciária e a tributária, fundamentais para o crescimento, mas encaminhadas apenas de forma parcial neste primeiro mandato. O país precisa expandir sua economia de forma sustentada