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Editoriais
Segunda-feira, 05 de Março de 2012, 20h:49

O outro lado da Copa

Fosso entre governo e produtores rurais existe e cada vez é maior, muito embora ambos neguem esta realidade. Pior, é que o cerne da questão é um impasse que para ser solucionado exige mais que o restabelecimento da antiga harmonia entre as partes, porque está condicionado às relações do governo de Mato Grosso com a União. Em bloco entidades representativas do setor produtivo levantam barricada contra o governo, que baixou decretos alterando alíquotas e criando-a onde havia desoneração. Produzindo sob cerco ambiental, fundiário e indigenista; enfrentando problema com a carência da logística de transporte; e exercendo atividade longe dos portos; o produtor não suportaria a mudança das regras tributárias. Por sua vez o governo lança mão dos novos impostos na tentativa de equilibrar as finanças, como preceitua a Lei de Responsabilidade Fiscal. Ontem, na sede da Federação da Agricultura e Pecuária (Famato) as entidades do setor produtivo se reuniram para debater esta questão. Convidado pelo presidente anfitrião, Rui Prado, o governador Silval Barbosa participou do evento, ouviu e fez pronunciamento temático. Mato Grosso se acostumou tanto com a arte da composição política, que por pouco o evento na Famato não terminou em confraternização ao ritmo do lambadão cuiabano. Porém, duas vozes se levantaram marcando posicionamentos antagônicos. O produtor rural e prefeito de Água Boa, Maurício Tonhá (PR) fez enérgico pronunciamento criticando o governador. Disse que Silval transmite a sensação que não tem o comando de Mato Grosso, muito embora tenha a caneta que nomeia e que assina decretos e leis. Maurício citou que em reunião anterior produtores e governo alinhavaram entendimento sobre a nova tributação, mas que a equipe econômica do Palácio Paiaguás a jogou por terra. Silval argumentou que tem governo atípico em função da Copa do Pantanal, que levou Mato Grosso a assumir compromissos com a Fifa e a União para realização dos jogos em 2014. Num desabafo revelou que até o momento Brasília não liberou um centavo sequer para a matriz de responsabilidade urbana. Na esteira da crítica o governador deplorou o encolhimento do repasse do fundo compensatório pela existência da Lei Kandir, que em 2011 foi de R$ 220 milhões e que cai para R$ 192 milhões neste ano. A existência do fosso é inegável, mas ele pode ser aplainado com a reaproximação das partes. Para tanto, será preciso rever o papel de Mato Grosso na execução do projeto Copa do Pantanal. O agronegócio responde por 70% do PIB estadual e o governo não pode levá-lo à bancarrota em nome da Copa do Pantanal. Antes que se instale uma crise sem precedente e que se cristalize a ruptura dos produtores com o Paiaguás, as partes devem assumir a existência do antagonismo, mas fazê-lo com a serenidade de quem busca solução. Os primeiros passos para tanto foram dados ontem por Maurício Tonhá e Silval, sem rodeios, porque assunto desta magnitude não se trata com meias palavras. O agronegócio responde por 70% do PIB estadual e o governo não pode levá-lo à bancarrota em nome da Copa

Edição EDIÇÃO 16959




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