Editoriais
Quinta-feira, 04 de Setembro de 2008, 20h:29
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O desafio para educação
O Brasil, que conseguiu universalizar o acesso ao Ensino Fundamental, enfrenta hoje o desafio de garantir educação a todos, com qualidade. O diagnóstico, que costuma ser apontado por educadores em geral, foi endossado ontem pelo ministro Fernando Haddad. O ministro garantiu que o país continuará ampliando as oportunidades de acesso a outros níveis de ensino, como o pré-escolar e o universitário. A partir de agora, porém, essa expansão terá que ocorrer paralelamente a avanços também sob o ponto de vista da qualidade da aprendizagem. Uma das preocupações procedentes do ministro foi desfazer a idéia de que, até há algumas décadas, o país conseguia ofertar ensino para todos os brasileiros, e de qualidade, o que definiu como ilusão. Mais de quatro décadas atrás, por exemplo, menos da metade dos brasileiros tinha acesso à escola pública e o restante jamais passava por ela. Desde então, o Brasil vem se preocupando em garantir ensino para todos no nível fundamental, mas o custo dessa política foi uma queda na qualidade, que a sociedade percebe com preocupação e os próprios exames oficiais de avaliação, aplicados pelo governo e por organismos internacionais, se encarregam de ratificar, demonstrando a urgência da necessidade de correções de rumo. Uma das condições para o país assegurar ensino de qualidade a todos é fazer com que financiamento e gestão possam andar juntos, num plano de médio e longo prazos o que, obviamente, não pode se restringir a um único governo e a um partido ou ideologia. Por isso, é importante que os programas em andamento, nesta e nas próximas administrações, continuem estimulando a ampliação do acesso. Cada vez mais, porém, a preocupação precisará se concentrar na expansão com qualidade, incluindo também os cursos de nível universitário. Só recentemente, explicou o ministro, o país passou a contar com um marco regulatório que permita ao governo atuar com mais rigor nos casos de faculdades sem um mínimo de qualidade. E está decidido agora a destinar maior atenção à qualificação dos educadores. Encontram-se em estudo até mesmo alternativas de fazer com que professores possam saldar o financiamento da formação dando aulas em escolas públicas, por exemplo. Nem todas as soluções para o ensino, porém, devem ficar por conta do governo. Como advertiu o próprio ministro, boa parte do aprendizado ainda é de responsabilidade da família, que infelizmente se mostra omissa no cumprimento desse papel, num fenômeno que atinge todas as classes sociais. A rapidez com que o Brasil irá alcançar a universalização do ensino com qualidade vai depender da capacidade de o setor público garantir financiamento e gestão eficiente, mas também de os pais voltarem a acompanhar o dia-a-dia da vida escolar de crianças e jovens. Nem todas as soluções para o ensino, porém, devem ficar por conta do governo