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Editoriais
Quarta-feira, 10 de Novembro de 2010, 19h:23

Nova tarifa e ônibus velho

Em anúncio oficial a Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Mato Grosso (Ager) juntamente com as prefeituras de Cuiabá e Várzea Grande revelaram que a tarifa do transporte intermunicipal de ônibus entre as duas cidades e as linhas coletivas urbanas em ambas sofrerão reajuste a partir do próximo domingo. O usuário cuiabano paga tarifa de R$ 2,30 e a partir de domingo terá que desembolsar R$ 2,50. Em Várzea Grande e nas linhas que operam o transporte intermunicipal o preço passará de R$ 2,20 para R$ 2,40. As planilhas operacionais do setor apontam que 232 mil passageiros utilizam diariamente os ônibus na área do aglomerado urbano de Cuiabá. Aumento nunca é bem recebido por quem é atingido por ele, até mesmo em períodos de altas generalizadas como agora, que abrangem carnes, arroz, feijão e outros itens da alimentação, além do álcool combustível. Porém até ontem, não havia indicativo de desecontentamento de segmentos organizados de usuários do transporte coletivo nas duas cidades. Sobre o anúncio no tocante ao município de Cuiabá, vale observar que a tarifa atual entrou em vigência em maio do ano passado e que o aumento concedido é de 9% ao passo que a inflação no período foi de 4,3%. O prefeito Chico Galindo concedeu reajuste, mas não fez nenhuma menção ao estado de conservação de parte da frota, que é formada por ônibus velhos que foram trazidos de outras cidades para serem incorporados ao sistema de transporte cuiabano. Um dos pontos altos da mídia da administração do ex-prefeito Wilson Santos, que foi sucedido por seu vice Chico Galindo, e que administrou Cuiabá por quase seis anos, saindo da prefeitura em abril para concorrer ao governo, foi a qualidade do transporte coletivo, que contava com ônibus novos e modernos. Porém, desde o começo do ano passado, o que se vê é a incorporação de veículos velhos, sem sistema de refrigeração e necessitando de manutenção mecânica circulando pelas ruas da Capital, em alguns casos até mesmo licenciados em seus municípios de origem. Independentemente de reajuste tarifário ou não, é papel da Ager e das prefeituras fiscalizarem os ônibus do transporte coletivo. Nesse momento em que se leva ao conhecimento do usuário o aumento, essas instituições deveriam também anunciar uma blitz conjunta com o Detran sobre a frota em questão, em nome da boa norma administrativa calcada em direitos e deveres: aumento de tarifa é prerrogativa e assegurar transporte de qualidade é obrigação dos municipios e da Ager. Não é justo aumentar tarifa sem oferecer serviço de boa qualidade. O usuário do transporte em Cuiabá sabe bem a precariedade dos ônibus em circulação pela cidade. No caso desse reajuste, o ideal seria que sua entrada em vigor coincidisse com a retirada de circulação dos ônibus velhos e sucateados, porque o exercício do poder implica na adoção de medidas administrativas justas que levem em conta todos os elos da cadeia social no âmbito de sua abrangência. O usuário do transporte em Cuiabá sabe bem a precariedade dos ônibus em circulação

Edição EDIÇÃO 16960




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