Editoriais
Terça-feira, 13 de Março de 2012, 22h:14
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Momento de reivindicar
Nos meios políticos se costuma dizer que o vento que sopra em Brasília muda o clima no Brasil inteiro. Mais que vento, porém sem o rótulo merecido, um vendaval entre quatro paredes nos meios governistas varre o Planalto. Tanto varre, que a presidente Dilma Rousseff trocou os líderes de seu governo na Câmara dos Deputados e no Senado. Dilma trocou o petista Cândido Vaccarezza (SP) por seu correligionário e coestaduano Arlindo Chinaglia na liderança do governo na Câmara. No Senado afastou o peemedebista Romero Jucá (RR) e indicou Eduardo Braga (AM), do mesmo partido. As duas mudanças em Brasília vão bem além da troca de nomes. Trata-se de manobra para impedir que o governo novamente sofra reveses no Parlamento, como recentemente aconteceu com a rejeição do nome de Bernardo Figueiredo para a diretoria-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), como queria Dilma. Chinaglia e Braga chegam à liderança em suas respectivas Casas Parlamentares com dupla missão: resgatar a harmonia entre a majoritária base de sustentação e o governo, e impedir que esta convergência crie descontentamento em congressistas aliados e com as bancadas dos estados. A bancada federal mato-grossense é pequena. Tem apenas oito deputados e, a exemplo das demais unidades federativas, três senadores. Neste grupo parlamentar seis deputados fecham questão com Dilma; somente Nilson Leitão (PSDB) e Júlio Campos (DEM) fazem oposição. No Senado a presidente tem apoio partidário e incondicional do líder republicano Blairo Maggi, circunstancialmente do pedetista Pedro Taques que mantém postura independente - e enfrenta a resistência oposicionista do democrata Jayme Campos, que é líder da Minoria. O início da caminhada dos novos líderes do governo será cauteloso e a bancada mato-grossense deve se aproveitar dessa circunstância para conseguir por meio de negociações no melhor sentido da palavra - desengavetar e desatravancar projetos estruturantes do mais alto interesse econômico e social de Mato Grosso e sua gente. Sem prejuízo do posicionamento partidário dos congressistas mato-grossenses, mas é preciso que todos, indistintamente, se manifestem em bloco estadual e, se fizer necessário, de modo mais abrangente com reforço das bancadas do Centro-Oeste e Amazônica, antes que passe o momento inicial da caminhada dos novos líderes e tudo se acomode no gigantismo do poder em Brasília. Mato Grosso tem demandas solidárias com vizinhos. É assim com a Ferrovia do Centro-Oeste, que também interessa a Goiás e Rondônia; com as rodovias 158 e 163, que merece toda atenção do Pará. Tocantins, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Acre, Rondônia, Distrito Federal e Amapá que pode se tornar o principal escoadouro da safra do Nortão também compartilham o barco do sonho com desenvolvimento sustentável das regiões que abrigam as últimas fronteiras da colonização. O momento é agora, antes que seja tarde demais. O vento que sopra em Brasília muda o clima no Brasil inteiro