Editoriais
Sexta-feira, 29 de Outubro de 2010, 19h:15
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Luta contra a aftosa
Mato Grosso inicia na próxima segunda-feira a etapa universal deste ano de vacinação de bovinos e bubalinos contra a febre aftosa, com a meta de alcançar 100% de cobertura vacinal em seu rebanho com mais de 27,3 milhões de cabeças. A vacinação será feita até 30 de novembro, mas no Complexo do Pantanal a campanha prossegue até 15 de dezembro, pela atipicidade da região, que enfrenta problema de alagamento nessa época do ano. A febre aftosa é enfrentada em Mato Grosso por uma rígida política sanitária que dentre outras ações desenvolve três etapas anuais de vacinação. A primeira acontece em fevereiro para a faixa etária de até 12 meses da bezerrada na fronteira seca de 730 km com a Bolívia A segunda destina-se ao rebanho universal com até 24 meses. A última é o tema deste editorial. Para a etapa de vacinação de novembro há uma queixa e uma dúvida. A reclamação fica por contra de criadores, que protestam contra a alta da dose da vacina, que na campanha do ano passado custava em média R$ 1,14% e que agora passou a R$ 1,34 o que significa aumento de 15%. A dúvida fica por conta da aplicação ou não vacinação assistida nos rebanhos indígenas e dos assentamentos da reforma agrária. A dúvida sobre a vacinação assistida, que era tradicional em nome do reforço da política sanitária animal, fica por conta da burocracia do Fundo Estadual de Sanidade Animal (Fesa) sucessor do Fundo Emergencial da Febre Aftosa (Fefa). Até ontem, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária (Famato), Rui Prado, que controla o Fesa não tinha números sobre a demanda de vacina para os rebanhos dos povos indígenas e dos parceleiros do Incra e do Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat). Rui revelou que neste ano o procedimento terá o seguinte rito: o Instituto de Defesa Agropecuária (Indea) levanta a necessidade caso a caso, a apresenta ao Fesa, que por sua vez se encarrega de atender ao pedido. Antes do mecanismo burocrático de agora, para efetuar compra de vacina o Fefa tomava por base o rebanho anteriormente vacinado e usava o quantitativo dos animais atendidos pela vacinação assistida, observando boa margem de segurança, o que sempre permitiu que a taxa de cobertura do gado dos criadores beneficiários alcançasse o índice de 100%. Essa prática contribuiu e muito para que Mato Grosso se tornasse área sem aftosa desde 16 de janeiro de 1996, quando do último foco notificado no estado. Aftosa é doença traiçoeira e tem forte apelo econômico. Basta a notificação de um caso para que o mercado internacional feche as portas para as carnes bovina e suína mato-grossenses. Criadores, frigoríficos, autoridades do setor, dirigentes classistas, leiloeiros, veterinários, transportadores e os demais elos da cadeia pecuária sabem que as regras das barreiras sanitárias são duríssimas. Portanto, cabe ao Fesa se livrar das amarras burocráticas antes que seja tarde demais. A febre aftosa é enfrentada em Mato Grosso por uma rígida política sanitária