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Quarta-feira, 25 de Julho de 2007, 20h:38

Hora de mudanças

É tão grave a crise aérea que afeta o país e é tanta a indignação da população, especialmente das pessoas enlutadas pelo acidente da TAM, que o governo, os órgãos públicos e as empresas aéreas têm o dever de dar respostas mais satisfatórias à sociedade. Chega de contemporizar. Chega de discursos vazios. Chega de incompetência administrativa. O mínimo que se espera é que os atuais gestores desse serviço essencial sejam afastados e substituídos por gente mais competente. Já está mais do que provado que o ministro da Defesa não tem energia e dinamismo para as exigências do cargo, num momento de crise. Também é inaceitável que os assessores governamentais Marco Aurélio Garcia e Bruno Gaspar permaneçam nos seus postos depois dos gestos desrespeitosos que protagonizaram. Da mesma forma, a omissa Anac (com suas peculiaridades institucionais) e a inoperante Infraero têm que ser comandadas por gestores de reconhecida competência nas suas funções, para cobrar, com a devida veemência, das empresas aéreas providências ações contra abusos como superlotação de aviões e trânsito de aeronaves com problemas mecânicos, e para agir na manutenção dos aeroportos. Há 10 meses, o país convive com uma insustentável instabilidade no setor aéreo, estratégico e insubstituível. Os dois mais graves acidentes da história da aviação comercial brasileira ocorreram nesse período, sem que tenha havido uma reação convincente por parte das autoridades e das empresas. Estas, concessionárias dos serviços, são uma das pontas do imbróglio nacional que tem no governo e em instituições de caráter público os principais responsáveis. Temos denunciado a falência da autoridade nessa crise. O próprio presidente da República, em reiteradas declarações, comprometeu sua imagem e sua responsabilidade, batendo na mesa, sem conseguir uma resposta que ele e principalmente a sociedade estavam esperando. Chegou mesmo a exigir dia e hora para o fim do caos dos aeroportos - e essa exigência não foi atendida. Revelaram-se incapazes de superar os impasses, mostrando-se objetivamente incompetentes, tanto os comandos do Ministério da Defesa quanto os dos demais organismos diretamente envolvidos, como a Infraero e a Anac. Nenhuma das facetas da crise foi eliminada nesse período. Ao contrário, a descoordenação no controle de vôos, a falta de qualificação na estrutura dos aeroportos, o caos nas linhas e nos horários, os desajustes entre comandos militares e chefias civis, as discutíveis decisões sobre a liberação da pista de Congonhas e a incapacidade de colocar nos eixos os serviços e de dar atendimento adequado aos usuários, tudo isso regado a declarações e gestos desastrados, foram fatores que ampliaram a crise, expuseram negativamente a imagem do país e armaram o cenário para a tragédia do dia 17. É mais que hora de medidas fortes. Não cabem contemporizações nem com dirigentes incapazes de comandar, nem com técnicos incapazes de diagnosticar problemas, nem com chefias desajustadas e incompetentes. No mínimo, esses dirigentes devem ser substituídos por outros mais capazes. Também é impositivo que sejam chamados à responsabilidade os dirigentes das empresas que, como concessionárias de um serviço, não cumprem os seus compromissos com o público. O país aguarda que o presidente da República, no uso de sua autoridade, assuma o comando dessas mudanças e aponte à nação quem é o responsável direto pela condução do setor aéreo. Porque até agora o governo, além de não dar as respostas necessárias à sociedade, brindou-a com descaso, comentários desrespeitosos, gestos obscenos e premiações insultantes. “O país aguarda que o governo aponte o responsável pelo setor aéreo”

Edição EDIÇÃO 16968




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