Região de contrastes, a fronteira de Mato Grosso com a Bolívia se destaca pela força do agronegócio, roteiros turísticos e reservas minerais, porém, enfrenta graves problemas com o crime transnacional que entra no Brasil por um trecho alagado de 233 km e uma extensa linha imaginária de 750 km ao longo dos municípios de Cáceres, Porto Esperidião, Vila Bela da Santíssima Trindade e Comodoro. Uma das mais importantes cidades da faixa de fronteira é Pontes e Lacerda, sede de município com expressiva pecuária, lavras de ouro e comércio regional. Essa localidade foi escolhida pelo governador Silval Barbosa para instalar hoje o Governo Itinerante, a exemplo do que aconteceu recentemente em Sinop e que será estendido aos pólos regionais. Ao longo do dia o governador e seu secretariado despacharão com autoridades do município anfitrião e da região. Nas audiências que serão concedidas os problemas de ordem administrativa e no campo social estarão no centro das atenções. A região de Pontes e Lacerda conta boa infraestrutura e ao mesmo tempo tem algumas demandas, a exemplo da pavimentação dos 40 quilômetros entre Araputanga e Reserva do Cabaçal e da conclusão do asfalto de Vale de São Domingos à BR-174. A execução dessas obras é compromisso de campanha de Silval, que planeja assegurar ao menos um acesso asfaltado aos 48 municípios ainda isolados da malha rodoviária. Silval precisa aproveitar sua presença na fronteira para discutir com a região a criação de uma política de turismo para incrementar a economia regional e absorver mão de obra. Ao lado de Pontes e Lacerda, Vila Bela da Santíssima Trindade, que foi a primeira capital mato-grossense tem potencial turístico que exige melhor aproveitamento, por se tratar de conjunto de roteiros históricos e culturais ancorado pelo ciclo de domínio da Coroa Portuguesa no Vale do Rio Guaporé e pela tradição afrocultural mantida por mulheres descendentes de escravos. As demandas comuns à região estarão presentes nas audiências que Silval concederá. Porém, Pontes e Lacerda e entorno são diferenciados das demais cidades mato-grossenses pelo fato de se localizarem na fronteira ou em sua faixa para efeito de segurança nacional e, portanto, exigem tratamento diferenciado. Nessa condição esses municípios necessitam de programa especial de ocupação da zona rural e vitalização urbana e rural. Mato Grosso precisa estimular a ocupação da fronteira para reduzir a influência do crime transnacional na região. Para tanto deve lutar junto ao governo da presidente Dilma Rousseff pela federalização das rodovias 265 e 199 que se completam e acompanham os contornos da fronteira, bem próximas da mesma. A pavimentação dessa malha rodoviária entre Porto Esperidião e Vila Bela da Santíssima Trindade cruzando o perímetro urbano de Santa Clara do Monte Cristo seria ponto de partida para a cidadania ocupar espaços antes que o tráfico o faça. Pontes e Lacerda e entorno são diferenciados das demais cidades mato-grossenses