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Cuiabá MT, Sexta-feira, 19 de Junho de 2026

Editoriais
Sábado, 18 de Julho de 2015, 13h:36

Governo e esporte

Mato Grosso tem potencial olímpico, mas independentemente dessa condição sua juventude precisa de políticas públicas em todas as esferas do poder para encontrar na prática do esporte um estratégico aliado contra as drogas lícitas ou não, a prostituição e a criminalidade que envolve crianças e adolescentes. O potencial olímpico acaba de ser evidenciado com a conquista de duas medalhas em esportes distintos, nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá. O judoca David Moura, que compete na categoria acima de 100 kg ganhou o ouro numa luta de 13 segundos com o equatoriano Freddy França, que foi imobilizado com um ippon – golpe que sacramenta o fim da luta quando essa não é vencida por critérios de pontuação. Felipe Lima, maior nome da natação mato-grossense, assegurou a medalha de prata nos 100m nado de peito. O ouro de David Moura ainda tem um componente especial. O judoca cuiabano foi convocado às pressas para a seleção brasileira no final de junho, para substituir seu colega Rafael Silva, que lesionou o tendão do músculo peitoral maior direito. Mesmo sem tempo para treinamento e entrosamento com os companheiros de equipe ele apresentou o melhor desempenho possível. David Moura e Felipe Lima são dois nomes nascidos entre os esportistas mato-grossenses. Além deles, há uma quantidade muito grande de talentos que uma vez burilados poderão brilhar mundo afora, principalmente no judô e karatê, que são duas lutas marciais onde Mato Grosso sempre se desponta em competições regionais e nacionais. A estrutura para o esporte especializado é acanhada fora de Cuiabá, com algumas exceções. Na capital a juventude tem opções de ginásios de esporte e conta com o imponente Ginásio Poliesportivo Professor Aecim Tocantins, mas somente isso não basta. Em muitas cidades não há ginásios poliesportivos compatíveis com a demanda e, além disso, tanto nessas quanto nas que contam com praças para a prática de esporte – incluindo Cuiabá - falta política social de amparo ao jovem. Exemplos dessa realidade podem ser vistos nos cruzamentos, onde atletas e artistas amadores matriculados na rede pública pedem colaboração financeira para o custeio de viagens a eventos realizados tanto em Mato Grosso quanto em outros Estados. Investimento no esporte passa pela construção de piscinas, quadras, campos e ginásios, mas não se limita a isso. O atleta precisa se alimentar bem, contar com boa cobertura da saúde pública, viver em segurança, frequentar escola de qualidade, utilizar transporte público seguro e eficiente. Em suma, ao atender o esportista o poder público estará de igual modo estendendo sua atuação a todos, indistintamente e cumprindo o papel que a população quer e espera. Felipe Lima e David Moura orgulham Mato Grosso. Que o governo e as prefeituras entendam a seguinte mensagem: por trás de cada medalha existe estrutura esportiva e condição social. Que ambas ganhem contornos universais o mais rápido possível nesta terra tão carente. David Moura e Felipe Lima são dois nomes nascidos entre os esportistas mato-grossenses

Edição EDIÇÃO 16966




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