Editoriais
Sexta-feira, 20 de Março de 2009, 21h:33
A
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Falta compromisso
São extremamente preocupantes os dados da Secretaria de Saúde sobre os casos de dengue em Mato Grosso, divulgados nesta semana. Com efeito, Mato Grosso já acumula nada menos do que 94 casos graves de dengue em 2009, com o registro de seis mortes. Como haveria de ser natural, conforme foi amplamente divulgado, até mesmo as autoridades sanitárias manifestaram preocupação com índices tão alarmantes dessa doença tropical. Vale registrar, com base em dados fornecidos pelo Governo, que, historicamente, 2009, para começo de conversa, já se afigura como o ano com maior incidência de registros da doença, com evolução para febre hemorrágica ou com complicações, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde. Basta lembrar que, desde 90 há quase uma década, portanto -, nunca haviam sido registrados mais de 25 casos anuais. Também com base em dados da Saúde Pública, constata-se que houve uma queda até significativa no total de notificações pela doença, porém os casos com complicações, seja pela hemorragia ou pela entrada em estado de choque pelo paciente, aumentaram muito. Para se ter uma idéia, enquanto as notificações gerais em 2009 atingiram os 2.813 casos, em 2008 foram 4.980, representando uma queda de 43%. Registre-se, de outro lado, que são os números do estágio grave que preocupam as autoridades sanitárias. Afinal, no ano passado, por exemplo, foram 17 casos do tipo até a terceira semana de março, com quatro mortes. Em 2007, foram 16 casos, com nove óbitos. Neste ano, são quase 100 casos. Reportagem veiculada pelo Diário, na última quinta-feira, informa que o Governo suspeita que tenham voltado a circular em Mato Grosso sorotipos da doença, os quais foram causas de epidemias registradas no ano passado. Só se contrai determinado sorotipo uma única vez, mas, na hipótese de que a população de mosquitos se renovou, os vírus podem ter voltado a atingir crianças e novos moradores. Nos últimos anos, o sorotipo em circulação era o III, o mais agressivo. As estatísticas divulgadas pela Saúde Pública, de fato, são alarmantes. A cada ano, os índices de doença aumentam e elevam-se os registros de óbitos. Ano após ano, a Saúde Pública se limita a apurar e a divulgar estatísticas, com números que assustam, mas pouco o Poder Público diz sobre as medidas sobretudo, de caráter preventivo que estão sendo adotadas. Pelo menos, no sentido de evitar que se estabeleça o pânico. Nesse caso, fica a impressão de que o Estado não liga muito para a questão, limitando-se a observações óbvias, quando dele se espera muito mais do que previsões esdrúxulas exige-se, isto sim, ação contra uma doença que se alastra pelo País e, em algumas regiões, caminha para virar uma epidemia. O trabalho, necessariamente, tem que ser feito visando sempre à redução da taxa da letalidade da doença. Virou lugar-comum, por sinal, o argumento de que, neste período do ano, os casos de dengue aumentam no Estado em decorrência da intensidade das chuvas, que criam condições propícias à proliferação do mosquito Aedes aegypti. A realidade é que o número de mortes por dengues entre elas, a hemorrágica poderia muito bem ser reduzido de forma significativa se o sistema de Saúde estivesse mais preparado para o atendimento primário, notadamente em postos de Saúde. Ou existe descaso em matéria de planejamento, ou a implementação de medidas preventivas deixa a desejar. A dengue também é uma doença que, além do mosquito transmissor, se propaga em função da falta de compromisso por parte de muitos para com a cidadania. Afinal de contas, se cada cidadão também fizesse sua parte no contexto da prevenção, não há como negar, certamente essa doença já teria sido erradicada. Ou, quando nada, estaria em níveis bem próximos da taxa zero. A indiferença e a irresponsabilidade abrem caminho para o Aedes egypti. Até quando teremos quer nos acostumar com as estatísticas, que, a propósito, têm-se revelado bastante macabras? Mato Grosso já acumula 94 casos graves de dengue em 2009