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Editoriais
Terça-feira, 24 de Março de 2009, 20h:53

Escândalos em série

No foco da imprensa e da opinião pública desde que pagou R$ 6,2 milhões em horas extras para 3,8 mil servidores durante o recesso de janeiro, o Senado Federal não parou mais de produzir escândalos. Desde então, descobriu-se que há parlamentares emprestando celular de serviço para parentes que viajam ao Exterior, que a Casa tem mais diretores do que as maiores empresas multinacionais do mundo, que apartamentos funcionais são utilizados sem ônus por apadrinhados de senadores e que as lideranças do parlamento têm pouca disposição para moralizar a instituição. Por isso, ressurge no país a tese de fechamento do Senado certamente um equívoco semelhante à retirada do sofá da sala na conhecida anedota. A Câmara revisora é indispensável para o bom funcionamento da democracia, principalmente num país em que prospera a política do clientelismo. Com mais de 180 anos de existência, o Senado Federal cumpre papel relevante no equilíbrio federativo, impedindo que decisões do Executivo sejam chanceladas pela Câmara na base do aliciamento, do conchavo e da troca de favores. Não interessa ao país extinguir o Senado. Interessa, isso sim, combater suas mazelas, que nada mais são do que uma representação fiel da administração pública nacional em todas as suas instâncias. Nepotismo, apadrinhamento de aliados políticos, uso indevido de equipamentos públicos, incorporação de privilégios, nada disso é exclusividade das casas legislativas federais. São vícios que se reproduzem em todas as instâncias da administração pública e que só começam a ser erradicados quando a imprensa noticia e a opinião pública se mobiliza. Veja-se, por exemplo, o recente caso do senador que emprestou seu celular funcional à filha para uma viagem à América do Norte. Os gastos da moça só não foram pagos pelos contribuintes porque a mídia registrou a deformação e o parlamentar obrigou-se a cobrir a despesa. Mas ficou furioso. Disse que está sofrendo perseguição política. Esta reação é típica de quem se sente no direito de se apropriar do que é público. Outra estratégia empregada pelos aproveitadores é a criação de cargos tão pomposos quanto inúteis, como se viu na lista dos 181 diretores recém revelados à nação. Que contribuinte imaginaria que seus impostos servem para pagar salários superiores a R$ 20 mil para titulares das diretorias de Visitação, de Autógrafos ou da Coordenação de Rádios de Ondas Curtas? Seria cômico se não fosse um abuso tão afrontoso. Não dá para rir, mas também não é caso para extinção do Senado. Pelo contrário, as mazelas do Congresso têm que servir de referência para uma ampla revisão da administração pública nacional. Os brasileiros precisam transformar a indignação em resultados concretos, não apenas pressionando os parlamentares a corrigir as deformações, mas também exigindo transparência nos demais órgãos públicos. Os brasileiros já toleraram demais serem espoliados por aqueles que se imaginam donos do país. “Os brasileiros já toleraram demais serem espoliados por aqueles que se imaginam donos do país”

Edição EDIÇÃO 16964




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