NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Quarta-feira, 17 de Junho de 2026

Editoriais
Sexta-feira, 26 de Setembro de 2014, 20h:25

Erros de cálculo

A perda de credibilidade das estatísticas oficiais é o maior risco decorrente dos erros de cálculo cometidos pelo IBGE na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). O instituto cometeu falhas na tabulação dos resultados, o que fez com que a imprensa noticiasse, com destaque, uma informação com conclusão inversa ao que havia sido realmente apurado. O erro noticiava que a desigualdade havia aumentado no país, quando teria acontecido o contrário. É uma falha grave, num contexto delicado de campanha eleitoral, o que acabou provocando reações, muitas das quais exageradas, dos partidos de oposição ao governo. Não é surpreendente, no entanto, que a incorreção tenha inspirado até mesmo a suspeita de que o IBGE pudesse estar, com a revisão dos números, a serviço das boas notícias que interessam a quem está no poder. É uma suspeita que as sindicâncias terão de desfazer. O primeiro efeito das falhas é a desconfiança que passa a rondar trabalhos governamentais. A admissão de que a pesquisa continha inversões acontece cinco meses depois de um dano pesado na imagem de outro órgão do governo, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), pelo mesmo motivo. O Ipea havia divulgado pesquisa com dado alarmante: 65% dos brasileiros concordariam com a afirmação de que “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”. O número real era bem inferior: 26% concordavam com a assertiva. Pesquisas públicas e privadas, com os mais diversos objetivos, convivem com suspeitas e dúvidas sobre metodologia, público da amostragem e a real intenção dos estudos. Se o próprio governo produz erros em sequência, com amostragens importantes para a interpretação da realidade, é óbvio que a desconfiança tende a ser ampliada. Lamenta-se igualmente o prejuízo que as falhas produzem nos organismos encarregados de estudar números, comportamentos e tendências. O IBGE e o Ipea são instituições respeitadas, que não podem ter a autoestima de seus servidores e a imagem abaladas por deficiências nem sempre bem esclarecidas. Estudos governamentais sempre orientaram decisões públicas e privadas e trabalhos acadêmicos em torno da situação do país, sob os pontos de vista econômico e sociológico. Corrigir o erro é importante, mas a atitude do Executivo não pode se esgotar num pedido de desculpas e na apresentação dos números verdadeiros. É preciso que o governo transmita aos brasileiros a certeza de que trabalha com afinco no sentido de evitar que tais barbeiragens se repitam. Perda de credibilidade das estatísticas oficiais é o maior risco decorrente dos erros de cálculo do Pnad

Edição EDIÇÃO 16964




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL