Mesmo derrotada no plenário da Câmara dos Deputados a emenda que pedia a volta da eleição direta para presidente da República, de autoria do então deputado federal mato-grossense Dante de Oliveira, conseguiu mobilizar e unir o povo brasileiro na maior manifestação pela democracia que se registrou até agora. Submetida à apreciação dos deputados em 25 de abril de 1984, a emenda das Diretas Já alcançou 298 votos sendo que 65 parlamentares foram contrários à sua aprovação, três se abstiveram e 112 se ausentaram do plenário como parte da manobra governista para impedir que a proposta de Dante alcançasse dois terços da votação, o que garantiria sua aprovação e envio ao Senado como parte da tramitação parlamentar nos regimes bicamerais revisores. Apesar da conivência de deputados com o regime militar ditatorial que controlava o Brasil com mão de ferro o grito pela democracia não foi sufocado. Ao contrário, a mobilização continuou até que o Colégio Eleitoral elegesse por votação indireta o presidente Tancredo Neves que morreu antes da posse e foi substituído pelo vice José Sarney. O presidente Sarney conduziu o processo chamado transição do autoritarismo para a democracia. Dia após dia o Brasil amadureceu o regime democrático e hoje pode se orgulhar de ser nação institucional e juridicamente organizada. A emenda de Dante deu o golpe de misericórdia na ditadura e abriu a porta ao sol da liberdade. Porém, nem ela nem o amadurecimento democrático conseguiram impedir que a praga da corrupção se entranhasse de tal modo nos poderes e na relação destes com empresários, empresas e lobistas. O resultado desta situação e a palpável existência de poder paralelo controlado pela corrupção à sombra do poder institucional. O brasileiro vê com desencanto o Estado, desconfia da Justiça e sabe que a impunidade tem contornos irreversíveis. O que fazer para tirar o Brasil da corrupção que já extrapola os poderes e avança sobre as instituições e os instituídos? Quais medidas devem ser adotadas para livrar o Estado da sangria de seus cofres? Com a legislação vigente, que permite mil artifícios protelatórios é impossível pensar em reversão do quadro reinante. O cenário democrático é cristalino e consolidado. A gestão pública, no entanto, está corroída. O cidadão eleitor precisa exercer seu papel neste contexto e assumir sua obrigação cidadã com o Brasil. O melhor que se pode fazer neste sentido é retirar os políticos corruptos da vida pública negando-lhes o voto nas eleições de outubro, para escolha de prefeitos, vices e vereadores. Exorcizar da vida os políticos envolvidos com corruptos na esfera municipal é a única saída que resta ao cidadão, que deve aplicar o mesmo critério em 2014. Claro, que por maior que seja o expurgo sempre sobrará algum espertalhão, mas independentemente disso, é preciso agir nas urnas, onde tudo começa e onde tudo tem que terminar. Emenda de Dante deu o golpe de misericórdia na ditadura e abriu a porta ao sol da liberdade