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Editoriais
Quarta-feira, 21 de Setembro de 2011, 07h:26

Dia da Árvore

Em nenhuma parte do mundo a relação do homem com o ambiente florestal é tão polemizada quanto em Mato Grosso, que hoje vive a dualidade de ostentar o título de campeão nacional de produção e produtividade agrícola e, ao mesmo tempo, carregar a pecha de vilão do desmatamento. Os três milhões de habitantes de Mato Grosso - Estado que vive no centro da polêmica ambiental ocupando espaço sobre o tema inclusive na mídia internacional - compartilham com os moradores dos demais estados e do Distrito Federal a data festiva do “Dia da Árvore”. A data é simbólica e não passaria de uma comemoração a mais entre centenas de outras que diariamente ocorrem para homenagear seres humanos, animais, vegetais, a água e etc. Porém, em se tratando de Mato Grosso o Dia da Árvore merece profunda reflexão por parte dos moradores urbanos e dos residentes na zona rural, independentemente dos cargos que ocupem ou função que exerçam. Se o processo de antropização não tivesse acontecido em Mato Grosso nos índices que em se encontra o Brasil seguramente enfrentaria grave problema em sua política de segurança alimentar. Isso, porque a produção de grãos, fibras, carnes, lácteos, ovos, leite, açúcar e outros itens da alimentação da população oriundos dos 141 municípios mato-grossenses garantem o equilíbrio entre a demanda e a oferta do pão cotidiano na mesa do brasileiro. A relevância da produção de alimentos em Mato Grosso nunca está no centro dos debates quando se critica a antropização ocorrida para o cultivo das lavouras ou formação de pastagens. Porém, em nome da razoabilidade é preciso que a relação do homem com a cobertura vegetal – de cerrado e floresta – remanescente seja revista, para que a mesma ganhe confiáveis contornos harmônicos. Com os avanços agronômicos é possível aumentar a produção sem expandir a área agrícola, o que significa a manutenção do status quo, com pequenos ajustes que contemplem o meio ambiente e as áreas lavradias. Em nome do meio ambiente é preciso preservar árvores. Em nome da alimentação é imprescindível que haja terra cultivável em processo de atividade. Em nome da harmonia é necessário que se encontre o ponto de equilíbrio entre esses dois extremos. A data que ora se celebra é boa oportunidade para reflexão sobre esse tema. Autoridades, setor produtivo, ambientalistas e cientistas precisam debater a relação do homem com o ambiente florestal em Mato Grosso. Devem fazê-lo com a maior profundidade possível, mas sem que isso signifique a tentativa de se impor posicionamento, pois o que deve prevalecer é a lógica, independentemente de quem a defenda. Somente com o debate e longe do monólogo é possível estabelecer limites para a preservação e espaço para a produção. O ideal seria que as discussões sobre o tema fossem realizadas em dois cenários distintos: o primeiro com os participantes alimentados e o outro com todos sentindo fome. O ronco do estômago é bom indicativo no trato das questões de produção em áreas obviamente antropizadas. Com os avanços agronômicos é possível aumentar a produção sem expandir a área agrícola

Edição EDIÇÃO 16964




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