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Quinta-feira, 23 de Julho de 2015, 19h:51

Desaprovação de Dilma

Considerando-se a conjunção de fatores negativos que o país vem enfrentando, não chega a surpreender a revelação de que o governo Dilma Rousseff atingiu o seu menor índice de aprovação, de apenas 7,7%, conforme a mais recente pesquisa CNT/MDA, divulgada na última quarta-feira. Ainda que uma parcela considerável dos entrevistados aponte a corrupção como uma das razões para o descontentamento generalizado, o maior motivo de rejeição é o medo da crise econômica e, especialmente, do desemprego, que está em alta. Esta percepção mostra claramente que o governo precisa corrigir os erros que levaram a esse quadro desanimador. A avaliação negativa do governo Dilma subiu entre março e este mês. Passou de 64,8% para 70,9%. Ainda de acordo com a pesquisa deste mês, a aprovação do governo Dilma caiu para 15,3%. Estava em 19% em março. A desaprovação chegou a 79,9%, com uma pequena piora comparada com março (78%). A queda da aprovação da presidente já havia sido constatada em estudos divulgados por Datafolha e Ibope nas últimas semanas. A pesquisa CNT/MDA constatou que a maior parte dos entrevistados (84,6%) desaprova a condução da economia pela presidente Dilma. Apenas 12,4% acham que está conduzindo bem a gestão da crise. Sobre o ajuste fiscal do governo, 61,7% das pessoas acham que os cortes não estão ajudando a economia, contra 18,9% que entendem que ajudam. Do total, 19,6% não souberam ou não responderam. Comparado aos registros de outras recentes pesquisas de opinião pública, o percentual perde até mesmo para o de 8% registrado em setembro de 1999, quando o país, no segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, também estava diante de uma crise. No governo atual, preocupa especialmente o fato de o desencanto se mostrar evidente em todas as classes sociais de todas as regiões brasileiras. Diante da instabilidade política gerada pelo atual confronto entre Legislativo e Executivo e das dificuldades econômicas, em parte devido às consequências da corrupção em áreas vitais como a monopolizada pela Petrobras, nada sugere uma melhora imediata. Até por isso, é importante que as instituições sejam prestigiadas no cumprimento de seus deveres constitucionais e que o Executivo persista na adoção de medidas planejadas para recuperar a economia. Conforme o levantamento, 62,8% dos entrevistados são favoráveis ao impeachment da presidente Dilma. Já 32,1% disseram ser contra o afastamento da presidente e 5,1% não souberam responder. Questionados sobre os motivos para o impedimento, 26,8% consideraram que as chamadas “pedaladas fiscais” justificariam a medida. De acordo com o levantamento, 25% apontou a corrupção na Petrobras como principal motivo e 14,2% disse que os indícios de irregularidades na prestação de contas da campanha presidencial de 2014 seriam suficientes para afastá-la do cargo. Foram ouvidas 2.002 pessoas, em 137 municípios, entre 12 e 16 de julho. Mas um recado não pode ser ignorado: o país quer crescimento econômico com ética. E essa não deve ser uma meta apenas do governo: todos os brasileiros precisam se comprometer com ela. A avaliação negativa do governo Dilma subiu entre março e este mês. Passou de 64,8% para 70,9%

Edição EDIÇÃO 16965




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