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Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008, 21h:01

Desafio renovado

A realidade de uma economia em crise surge, neste começo de século, como um renovado desafio para estrategistas, estudiosos e, pela urgência dos problemas suscitados, dos governantes. As experiências históricas que se sucederam nos últimos 150 anos em distintas épocas, regiões ou países falharam em definir um rumo universalmente aceitável, em condições de promover o desenvolvimento econômico com justiça, um comércio internacional que favoreça a paz e um sistema financeiro que garantisse a estabilidade. Ninguém tem saudade do velho capitalismo que, sem qualquer limitação, promovia o crescimento às custas da exploração dos recursos humanos internos ou da dominação de mercados em nações periféricas. Da mesma maneira, ninguém acha viável o retorno às planificações econômicas estatais que se mostraram incapazes de levar ao desenvolvimento e fazê-lo com respeito às liberdades. Também estão sepultadas, com o repúdio da História, as experiências fascista e nazista que nasceram como alternativa ao capitalismo e ao socialismo e que foram implantadas às custas da democracia e dos direitos individuais. Na complexidade que as questões econômicas, políticas e sociais assumiram desde então, a busca de caminhos levou igualmente a excessos e a equívocos, a tentativas e erros, como os que neste momento estão sendo dados como responsáveis pela crise global. Mais uma vez, a comunidade humana tenta encontrar caminhos que garantam, com democracia, o equilíbrio entre Estado e indivíduo e entre direitos e deveres. E, mais uma vez, a tentativa de uma via intermediária entre os extremos que fracassaram surge como uma necessidade. Desta vez, no entanto, essa busca não se reduz a uma preocupação acadêmica ou a uma proposta de mudança do Estado. Neste momento, há uma crise em andamento, há veias abertas e há encruzilhadas a serem ultrapassadas. As opções socialistas, que foram sepultadas à sombra do Muro de Berlim, e as soluções ditas de mercado, que fizeram água por falta de limites e controles, já não são nem suficientes nem promissoras. Até mesmo as experiências social-democratas, que deram à Europa décadas de prosperidade, estão se mostrando pesadas demais para as sociedades que as mantêm. Foi olhando para as dificuldades que cada uma dessas alternativas carregava que surgiu, por exemplo, a terceira via do ex-primeiro-ministro Tony Blair e do chanceler Gerhard Schroeder. A constatação de que as forças do mercado, libertas à competitividade, não produziram a esperada auto-regulamentação e, ao contrário, levaram a uma crescente irresponsabilidade, está gerando lições e levando a decisões corretivas. Trata-se de uma confirmação de que uma espécie de terceira via é indispensável para corrigir os equívocos da esquerda e os erros da direita. Não por coincidência, o professor Anthony Giddens, principal conselheiro de Blair, chamava essa nova configuração de uma “inflexão radical para o centro do centro”. Pois esse novo momento global está ensejando numerosas iniciativas. Na Europa, prega-se uma refundação do sistema de regulação global com uma nova espécie de Bretton Woods. O presidente norte-americano, a dois meses de entregar o cargo, convoca uma cúpula dos governantes das maiores economias do planeta para a adoção de medidas globais. Os governos, abandonando todos os pruridos em relação ao papel do Estado na economia, promovem ações de regulação e intervenção que seriam extremamente polêmicas dois meses atrás. Num mundo em que os governos cada vez têm menos inimigos a enfrentar e cada vez mais problemas econômicos e sociais a resolver, é fundamental que a sociedade tenha suficiente sabedoria para identificar corretamente as razões da crise e para encontrar os caminhos adequados para enfrentá-las. “A comunidade humana tenta encontrar caminhos que garantam o equilíbrio entre Estado e indivíduo e entre direitos e deveres”

Edição EDIÇÃO 16966




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