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Cuiabá MT, Sexta-feira, 19 de Junho de 2026

CIDADES
Sexta-feira, 19 de Junho de 2026, 07h:44

EM 20 ANOS

MT registra mais de 2,1 mil mortes associadas a ondas de calor

O número equivale a 0,89% da mortalidade total no período, excluindo os óbitos por causas externas (acidentes e violências)

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Reprodução
Na população em geral, foi identificado um aumento consistente do risco de internação por doenças respiratórias, especialmente pneumonia, e geniturinárias, como insuficiência renal, em quase todas as regiões

Pesquisa inédita sobre o padrão de exposição a eventos de ondas de calor e os efeitos na saúde humana mostra que Mato Grosso registrou 2.122 mil mortes atribuíveis ao evento climático, nos últimos 20 anos.

O número equivale a 0,89% da mortalidade total registrada no período, excluindo os óbitos por causas externas (acidentes e violências).

O índice estadual é superior ao nacional de 0,6%.

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Os dados constam no estudo “Saúde e ondas de calor do Brasil: evidências sobre mortalidade, morbidade hospitalar e implicações para o SUS, divulgado na última quarta-feira (17), pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Para tanto, explorou os efeitos do fenômeno sobre as internações hospitalares do sistema público de saúde.

As análises, conduzidas por pesquisadores da Fiocruz e da Universidade Federal da Bahia (UFBA), abrangem 5.566 municípios brasileiros.

A maioria apresentou tendência de aumento na frequência e na intensidade das ondas de calor ao longo das duas décadas estudadas.

De acordo os responsáveis, o objetivo é apoiar a formulação de ações para o enfretamento do calor extremo e fortalecer a integração entre produção científica e políticas setoriais.

“A inovação deste estudo está em integrar, em escala nacional, a caracterização das ondas de calor considerando frequência, intensidade e duração com uma análise detalhada de seus impactos sobre internações hospitalares e mortalidade. De modo geral, o trabalho reforça evidências já descritas na literatura, mas avança em análises mais detalhadas sobre os impactos do calor extremo na saúde da população brasileira”, disse a pesquisadora Beatriz Oliveira, da Fiocruz.

Para chegar à estimativa, o estudo analisou praticamente todos os óbitos do país no período: foram 19,8 milhões de mortes por causas naturais (excluídas as chamadas causas externas, como acidentes e violência) registradas no Sistema de Informações sobre Mortalidade do DataSUS, nos mais de 5,5 mil municípios. Desse universo, 119.643 mortes foram associadas às ondas de calor.

Na população em geral, foi identificado um aumento consistente do risco de internação por doenças respiratórias, especialmente pneumonia, e geniturinárias, como insuficiência renal, em quase todas as regiões.

“Evidências científicas mostram que a exposição ao calor extremo e às ondas de calor está associada ao aumento de óbitos por causas naturais, com destaque para doenças cardiovasculares e respiratórias, bem como ao crescimento das internações hospitalares por causas sensíveis ao calor”, diz o documento.

Já os grupos mais sensíveis são os idosos, crianças, pessoas com doenças crônicas, trabalhadores expostos ao calor e populações em situação de maior vulnerabilidade socioambiental.

Regionalmente, o Centro-Oeste e o Norte apresentaram maior número de dias e maior duração média de eventos, enquanto Sudeste e Sul registraram eventos relativamente mais intensos.

Essas diferenças mostram características regionais distintas de exposição a esses eventos.

Conforme o estudo, as ondas de calor são eventos climáticos extremos caracterizados por períodos com temperaturas excepcionalmente elevadas em relação aos padrões climatológicos históricos registrados na localidade e, mantidas por períodos que podem variar entre dois dias seguidos a vários meses.

Para os responsáveis, os resultados reforçam a necessidade de ampliar a sensibilização sobre os riscos das ondas de calor e incrementar os planos de ações em nível municipal.

A resposta passa pela implementação de sistemas de monitoramento e alerta antecipado, orientação à população e fortalecimento da capacidade de respostas do SUS.

Outro aspecto apontado pelo estudo é a necessidade de incorporar sistematicamente informações climáticas nos processos de vigilância epidemiológica e ambiental para melhor identificar os períodos críticos, ampliar a capacidade de antecipação de riscos e subsidiar medidas preventivas e assistenciais.

As análises têm ainda a coordenação técnica do Ciência&Clima, cooperação técnica entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), e do ProAdapta, parceria entre o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil (MMA) e o Ministério Federal do Meio Ambiente, Ação Climática, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear (BMUKN) da Alemanha.


Edição EDIÇÃO 16966




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