Fraternidade e Amazônia é o tema da Campanha da Fraternidade 2007 - e que tem por lema Vida e missão nesse chão - lançada ontem, em Belém, pelo secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Odilo Scherer. Tema mais oportuno, impossível. Os bispos católicos transformarão os atos religiosos e a influência da milenar igreja em instrumentos da luta pela reversão da agressão ambiental na Amazônia brasileira. Sacerdotes e missionários católicos travam lutas isoladas em defesa da Amazônia e a igreja já assumiu algumas bandeiras setorizadas na defesa do meio ambiente. Porém, essa é a primeira vez que o braço político do Vaticano no Brasil - a CNBB - faz da causa ambiental sua principal bandeira ao longo de um ano. A Campanha da Fraternidade tem o melhor dos propósitos, mas não alcançará resultado satisfatório se o foco central de sua atuação não for a elaboração de um Código Florestal que estabeleça legislação definitiva em substituição ao arremedo de lei criado pela Medida Provisória 2166, que se eterniza por falta de vontade política do Congresso Nacional em resolver a delicada e grave questão do uso irracional do solo na Amazônia. A legislação ambiental regida pela Medida Provisória 2166, que regulamenta o desmatamento, é gargalo em Mato Grosso. Não se justifica mais que um tema tão importante e que requer política duradoura fique submetido a uma regra ditada monocraticamente pelo governo sem ouvir o Congresso Nacional. Cabe aos integrantes da bancada federal mato-grossense a liderança da luta pela elaboração de novo Código Florestal para solucionar de vez o impasse ora existente. Mato Grosso tem um triste passivo ambiental herdado do desenfreado desmatamento nos anos 70 e 80, do ciclo de garimpo de ouro dos idos da colonização de Alta Floresta e do avanço da agricultura mecanizada na chamada área de transição do cerrado para a floresta. Esse cenário reforça a necessidade de ação política em Brasília, para o reordenamento da atividade rural em toda sua extensão. Estado com forte vocação econômica calcada na terra, Mato Grosso não pode ficar atado por falta de definição de política ambiental, e uma vez estabelecido esse parâmetro será possível a implementação do desenvolvimento auto-sustentável calcado no primado da legalidade e em perfeita sintonia com os cuidados ambientais. A Campanha da Fraternidade abre aos parlamentares federais de Mato Grosso a oportunidade ímpar para a mobilização do Congresso Nacional por um novo mosaico da atividade empresarial na Amazônia, onde reina a legislação do improviso. Fora desse enfoque a CNBB estará pregando no deserto. Mato Grosso tem um triste passivo ambiental herdado do desenfreado desmatamento nos anos 70 e 80