Editoriais
Quarta-feira, 20 de Maio de 2009, 21h:33
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Choque de moralidade
Parece não haver a menor dúvida de que a Câmara Municipal de Cuiabá caminha célere para uma crise institucional, por conta de uma série de denúncias e de uma sucessão de desmandos, sobretudo, de caráter administrativo. Se já estava, por assim dizer, na condição de devagar, quase parando, o Legislativo cuiabano parece ter parado de vez, diante do mais recente escândalo envolvendo a figura do ex-presidente, Lutero Ponce (PMDB). Não se fala em outra coisa na Casa de Leis (?) que não seja o resultado de uma auditoria interna que a Mesa Diretora encomendou e que, conforme foi amplamente divulgado, apontou para um suposto desvio de mais de R$ 3 milhões dos cofres públicos, em 2008. Divisões internas são comuns em se tratando de um Poder, mas o que se verifica hoje, no âmbito do Palácio Paschoal Moreira Cabral, são disputas meramente pessoais, em detrimento das discussões que interessam de perto à coletividade cuiabana. O noticiário político, por exemplo, tem sido farto ao abordar uma suposta rixa pessoal entre Lutero e o seu sucessor, Deucimar Silva (PP). Por conta disso, grupos teriam se formado, num processo de queda-de-braço que remete, isto sim, para a disputa eleitoral. São poucos os vereadores que escondem seus projetos políticos com vistas a 2010 (almejam vagas na Assembléia Legislativa), muito embora ainda não tenham sequer se acostumado com o próprio expediente legislativo quando nada, com as lições básicas do Regimento Interno da própria Câmara. Enquanto isso, grupos se dividem entre o apoio ao atual presidente, que faz campanha por uma suposta campanha de moralização, e o ex-presidente, que tenta convencer a opinião pública de que não cometeu improbidade administra, apesar de o Tribunal de Contas, ainda que parcialmente, revelar o contrário. Uma certa Operação Abafa teria sido montada, no ambiente da Câmara Municipal, para impedir a instalação de uma Comissão Processante, que teria por fim julgar, em Plenário, o vereador Lutero. Diante das evidências de falcatruas com dinheiro do contribuinte, constantes da auditoria interna, não há como negar que uma cassação seja iminente. Causa estranheza que grande parte dos parlamentares se posicionaria a favor do ex-presidente, o que remeteria à suspeita de ligações promíscuas e interesses, até mesmo, inconfessáveis. Já passa da hora de o Legislativo cuiabano receber um choque de moralidade. A sociedade, certamente, acompanha com profundo pesar o desenrolar dos últimos escândalos. Logo, não hesitará em tachar os nobres vereadores com assento na Casa com as raríssimas exceções de praxe de um bando de aventureiros, interessados apenas em defender os seus próprios interesses. Nunca se viu tanta desmoralização! Já passa da hora de o Legislativo cuiabano ter um choque de moralidade