Coube aos senadores com assento no Congresso Nacional decidir ontem, em votação secreta, o destino de seu colega Demóstenes Torres (ex-DEM/GO, sem partido). E a decisão dos senadores foi de cassar o mandato do senador goiano por quebra de decoro parlamentar. A cassação veio pouco mais de quatro meses após a prisão do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, em uma operação da Polícia Federal que investigou as relações do bicheiro com vários políticos, policiais e empresários. Foram 56 votos a favor da cassação, 19 votos contra, 5 abstenções e 1 ausência. Eram necessários 41 votos para que a cassação fosse aprovada. Suspeito de envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, o ex-procurador foi investigado pela Comissão de Ética e Decoro Parlamentar do Senado. Por ampla maioria, a comissão aprovou relatório do senador Humberto Costa (PT-PE) que considerou Demóstenes culpado de quebra de decoro e recomendava sua condenação à perda de mandato. A condenação de Demóstenes por seus pares a segunda na história do Senado brasileiro - ocorreu devido ao clamor das ruas. O mais importante, neste processo de cassação, é que ele será o último em que a votação dos parlamentares acontecerá de forma secreta. O recado das ruas parece que foi assimilado pelos senadores, que entenderam que não é possível imaginar que a opinião pública tolerará uma atitude leniente dos parlamentares em presença dos malfeitos imputados a seus pares. O Senado deveria ser a imagem do pacto federativo brasileiro, daí advindo o simbolismo de sua cúpula voltada para o solo, representando a força emanada da terra. Cada Estado, seja o setentrional e pobre Amapá ou o industrializado e populoso São Paulo, tem o mesmo peso nessa Casa, materializado numa bancada de três senadores eleitos sob o princípio do voto majoritário. Infelizmente, nos últimos anos, esse caráter da Casa Revisora tem se tornado inócuo, aos olhos da população, diante da grande quantidade de escândalos que vicejam no parlamento. Que a cassação de Demóstenes Torres seja o alento para práticas mais republicanas de nossos senadores. A decisão dos senadores foi de cassar o mandato do senador goiano por quebra de decoro parlamentar