Editoriais
Sábado, 14 de Abril de 2012, 14h:11
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Cachoeira
Apesar dos desmentidos das autoridades estaduais, é extremamente preocupante a notícia veiculada nesta semana, com exclusividade pelo Diário, a respeito da certeza do grupo comandado pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira de que iria comandar a recém-recriada Loteria Estadual de Mato Grosso, a Lemat. A interceptação de uma mensagem eletrônica, por parte da PF, mostra um diálogo que, se não é prova cabal, ao menos revela que algo precisa ser investigado. O diálogo envolve o cunhando de Cachoeira, Adriano Aprígio de Souza, que, segundo a PF, seria seu laranja, e o argentino Roberto Coppola, consultor do bicheiro. No diálogo, os dois homens conversam sobre o resultado das eleições para governador de Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina; e como a composição dos governos poderia ser favorável ou não aos seus negócios. Agora vamos implantar a loteria em Mato Grosso, escreveu Coppola na tarde do dia 5 de outubro de 2010, dois dias após as eleições gerais. De imediato, as autoridades correram a minimizar os grampos, com dois argumentos. O primeiro dizia que se tratava de uma conversa entre terceiros, não envolvendo nenhuma autoridade pública do Estado. De fato, deve-se ponderar tal argumento, uma vez que inexiste no diálogo uma confirmação de que as cartas já estavam marcadas. O que existe é uma evidência forte de que uma pessoa muito próxima a Cachoeira estava dando como certo que seu grupo iria assumir a loteria do Estado. O segundo argumento amplamente utilizado pelas autoridades diz que seria impossível para a quadrilha de Cachoeira dar como certo o comando da Lemat, uma vez que a licitação ainda nem havia sido formulada. Este argumento não resiste a uma análise mais detalhada sobre como funcionam as coisas no poder público brasileiro. Dias atrás, o programa Fantástico, da Rede Globo, mostrou como empresários inescrupulosos agem nos bastidores dos governos - nunca sem a anuência de agentes públicos para fraudar licitações antes mesmo de que elas sejam lançadas. Aliás, a história recente nos mostra, inclusive, que algumas licitações já foram produzidas nos escritórios das empresas que as venceriam. Para não ir muito longe, esta era uma prática comum no famigerado caso Sanguessuga, de triste memória para Mato Grosso. Para quem não se lembra, naquela operação, a Polícia Federal descobriu que muitas licitações eram produzidas por funcionários das empresas que vendiam ambulâncias ao poder público. Portanto, antes de qualquer atitude precipitada seja para desmentir ou para condenar -, é preciso esperar que as autoridades competentes investiguem o caso com imparcialidade e contundência. É preciso esperar que as autoridades competentes investiguem o caso com imparcialidade e contundência