Editoriais
Segunda-feira, 05 de Março de 2007, 21h:47
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Aquecimento global e o Brasil
Descritos por oito estudos de pesquisadores brasileiros, divulgados na última semana, os possíveis efeitos do aumento do aquecimento global no Brasil foram referidos pela ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, como um "processo avassalador". A dramaticidade em relação ao tema já não é um recurso usado apenas por ecologistas românticos ou radicais, mas cada vez mais por ministros e chefes de Estado, além de líderes de grandes corporações privadas. É que, se os cientistas estiverem certos e países como o Brasil não cumprirem compromissos assumidos agora de tomar medidas adequadas e imediatas para conter a tendência, o futuro imediato será o previsto pelo documentário Uma verdade inconveniente, com o qual o ex vice-presidente norte-americano Al Gore conquistou um Oscar. Os alertas são semelhantes aos referendados recentemente pelo Painel Internacional de Mudanças Climáticas (IPCC), das Nações Unidas. Um aspecto alentador do vaticínio em tom catastrófico é que, assim como ocorre no mundo de maneira geral, também no Brasil as mudanças climáticas vêm sendo causadas em grande parte pela ação humana. As causas predominantes são o desmatamento e as queimadas, particularmente na Amazônia, e o uso de combustíveis fósseis. Essas razões já estão na origem de fenômenos concretos, que vão do furacão Catarina de 2004, o primeiro do Brasil, ao fato de, hoje, seis entre 10 praias pernambucanas estarem cedendo terreno para o mar. Se nada for feito, e de forma acertada, esses sinais podem evoluir para um agravamento dos problemas. Por isso, cada vez mais dirigentes de todo o mundo vão deixando as dúvidas de lado: ou se muda o consumo energético global, reduzindo drasticamente as emissões de gás carbônico que provocam o efeito estufa, ou as conseqüências serão nefastas. Se a saída está na conscientização dos homens sobre o problema, pois são os que o provocam, é importante que o governo brasileiro aproveite esse momento de comoção global para fazer sua parte. Contribuições individuais baseadas nos chamados três erres - reduzir, reciclar, reutilizar - são significativas. Da mesma forma, cada país precisa fazer o que está ao seu alcance. Mas as proporções assumidas pelo fato em escala mundial demandam um esforço articulado, como o que vem sendo tentado pelo Protocolo de Kyoto, até hoje sem a assinatura dos Estados Unidos. Dificilmente a ameaça ambiental será detida sem uma imediata e radical mudança nos padrões de consumo, e não só de energia. Felizmente, o Brasil tem ampla margem de manobra diante dessa verdade inconveniente. Se enfrentar a questão amazônica e se seguir apostando nos combustíveis alternativos, como o biodiesel e o etanol, já terá sido um grande avanço. Cada país precisa fazer o que está ao seu alcance