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Editoriais
Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2007, 19h:55

América dividida

A matéria de capa da última edição da revista norte-americana Newsweek tem como tema a América Latina, mais precisamente a divisão que está se processando no continente. De um lado, a ascensão do chavismo, que tem aliados nos presidentes Evo Morales, da Bolívia, Daniel Ortega, da Nicarágua, e Rafael Correa, do Equador. De outro lado, os moderados, um amplo leque que inclui, entre outros, a presidente Michelle Bachelet, do Chile, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essa divisão corresponde à bipolaridade do continente: de um lado, a crônica pobreza na maioria dos países; de outro lado, um progresso econômico fomentado pelo rendimento de commodities (indo de soja a petróleo) e pelo afluxo de capitais externos. Essa nova riqueza gerou uma elite visível em cidades como Buenos Aires, que agora experimenta uma espécie de renascimento. O que pensa essa elite? Boa parte da matéria é dedicada a uma enquete patrocinada pela revista com apoio da Universidade de Miami e que proporcionou resultados muito interessantes. Foram ouvidos 603 líderes latino-americanos, políticos, membros de governos, intelectuais, jornalistas, da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru, Venezuela. E as respostas são francamente otimistas. Para começar, 43% dos entrevistados descrevem a situação econômica de seus países como boa ou excelente (em 2002 só 7% tinham esta opinião). Essa situação vai continuar melhorando, segundo 81% dos entrevistados, e segundo 89% dos brasileiros. Uma pergunta foi particularmente interessante: que presidente latino-americano é o melhor modelo de liderança para o continente? Bachelet, responderam 28%; Lula, na opinião de 26%. Kirchner, da Argentina, e Chávez, da Venezuela, tiveram 9% cada. São direitistas, os entrevistados? Não é assim que eles se avaliam. Quase metade dos brasileiros ouvidos (49%) declararam-se "à esquerda do centro". Mas, seja qual for a orientação política, a esmagadora maioria (86%) desaprova a maneira como o governo norte-americano conduz o relacionamento com a América Latina. Divulgada por uma revista norte-americana, essa constatação talvez sirva de advertência à administração Bush. A reportagem da Newsweek serve de referência para os governantes sul-americanos, que devem se apoiar no otimismo das lideranças intelectuais e dos formadores de opinião para implementar políticas públicas que efetivamente conjuguem desenvolvimento econômico com transformação social. O rótulo ideológico - socialismo, liberalismo, esquerda, centro ou direita - interessa menos do que o resultado prático. As pessoas querem soluções viáveis e rápidas para os seus problemas, venham elas de governos moderados, conservadores ou até mesmo revolucionários, como alguns se autodenominam. “As pessoas querem soluções viáveis e rápidas para os seus problemas”

Edição EDIÇÃO 16968




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