Editoriais
Segunda-feira, 23 de Junho de 2008, 20h:13
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Ameaça crescente
A constatação de que o recrudescimento da inflação já não se limita a gêneros alimentícios de primeira necessidade, mas se espalha por diferentes itens pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com ênfase em serviços, traz de volta um velho dilema: a dificuldade de o país crescer sem pressionar o custo de vida. A primeira conseqüência para os brasileiros é a continuidade das elevações da taxa básica de juros, num processo que, infelizmente, acaba levando à desaceleração, ao endividamento, à inadimplência, portanto com potencial para, no mínimo, atenuar a boa fase econômica que o país se esforçou tanto para alcançar. Daí a necessidade de o governo, que é o responsável pela política monetária, agir com firmeza e sensatez para evitar um descontrole nos preços, de preferência com o mínimo de prejuízo para a expansão econômica. Em duas oportunidades diferentes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou-se ontem sobre o fato de, mais uma vez, o crescimento do setor produtivo ocorrer paralelamente ao do custo de vida. O presidente da República comemorou o aumento de 5,8% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre do ano, mas advertiu que o ritmo do crescimento precisa acompanhar "com muita clareza" a demanda, para evitar o risco de inflação. O percentual medido pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) alcançou 5,58% no acumulado de 12 meses. O esforço do governo, agora, terá que ser o de segurar o índice oficial em no máximo 6,5%, dois pontos percentuais acima da meta fixada pelo Banco Central. A extensão das pressões inflacionárias dos alimentos para os serviços confirma que o afastamento desse risco não pode se restringir a altas sucessivas da taxa básica de juros. O país só estará livre de um descontrole quando colocar em prática as reformas estruturais. Entre as prioridades mais urgentes para garantir crescimento com estabilidade estão mudanças no sistema tributário, na Previdência Social e nas leis trabalhistas. Acima de tudo, é importante que haja uma redução considerável dos gastos públicos, precondição para o setor governamental equilibrar um pouco receita e despesa, além de manter a confiança nos investidores, que seguem contribuindo para a expectativa de uma expansão do PIB acima de 5% neste ano. Favorecido pelo aumento acentuado da demanda mundial por alimentos e por biocombustíveis, o Brasil vive perspectivas excepcionais sob o ponto de vista econômico, para este ano e os próximos. É importante, por isso, como alertou o presidente da República, traduzindo uma preocupação cada vez mais comum a toda a equipe econômica, que se mantenha em sintonia com a demanda externa, sem se descuidar também da necessidade de garantir níveis de consumo interno adequados à capacidade de produção. O país só estará livre de um descontrole quando colocar em prática as reformas estruturais