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Editoriais
Quarta-feira, 01 de Julho de 2015, 20h:25

A igreja e o planeta

Merece atenção o alerta feito pelo papa Francisco na encíclica Louvado Seja Sobre a Cura da Casa Comum. A casa comum da humanidade é o planeta, e a ciência, mais do que a religião, vem registrando sucessivos danos ao ecossistema, causados pelo estilo de vida, produção e consumo que o líder da Igreja Católica sugere revisar. Mais pela inteligência do que pela fé, o homem precisa conscientizar-se de que pode usufruir das benesses da natureza sem esgotá-las, como recomenda o papa, com uma abordagem ampla do sentido de ambientalismo. Pela primeira vez, a Igreja trata a degradação da Terra sob o ponto de vista político e sociológico. Diz o papa que as ameaças são representadas por agressões aos recursos naturais e à vida, abordando também a situação de miséria de vastos contingentes da população. É assim, segundo especialistas, que o líder católico amplia o conceito de ecologia integral. A miséria social decorrente da agressão se manifesta nos danos ambientais e humanos, com as piores consequências para os que estão à margem do progresso que também destrói. A análise da situação mundial adverte para a responsabilidade de todos, das comunidades aos governos. Observa o papa que a sociedade já dispõe de evidências suficientes para agir. O recado é dirigido especialmente a políticos e empresários, que ainda não estariam à altura dos desafios mundiais. O Vaticano agrega-se a manifestações importantes de autoridades com reputação internacional, como o ex-vice-presidente norte-americano Al Gore. Está claro que a destruição, em muitos casos irreversível, de áreas importantes do ecossistema vem se viabilizando pela omissão dos que têm o dever de evitá-la. Há falhas de governos, de leis e de controles, além da complacência com o interesse econômico. Pelo poder institucional do papa e da Igreja, a encíclica agora divulgada configura contribuição decisiva aos apelos pela conscientização em favor da vida, em seu sentido mais amplo. É relevante o destaque que o documento dá ao que Francisco define como dívida ecológica, acumulada ao longo dos anos pelas nações mais ricas, em nome de um pretenso desenvolvimento e de ganhos financeiros mantidos a qualquer custo. Salvar a Terra, alerta o papa, é um esforço a que todos devem se dedicar, para que se preservem os meios de sobrevivência e, na essência, a dignidade humana. O alerta do chefe da Igreja é uma contribuição decisiva aos que têm o dever de oferecer respostas urgentes à degradação ambiental

Edição EDIÇÃO 16964




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