Editoriais
Quarta-feira, 14 de Novembro de 2012, 21h:41
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A guerra de São Paulo
Policiais militares e criminosos ligados à organização Primeiro Comando da Capital vêm protagonizando nas últimas semanas uma verdadeira guerra suja em São Paulo suja do sangue resultante das chacinas, das execuções sumárias e de ações policiais pautadas pela vingança, mas também suja da promiscuidade entre agentes corruptos e bandidos. Os mortos contam-se às dezenas dos dois lados, num confronto cada vez mais feroz e mais irracional. Como São Paulo, por sua expressão política e econômica, tem sido um espelho para o resto do Brasil, a questão preocupa muito mais por seu potencial multiplicador do que propriamente por prejudicar a imagem do país na antevéspera de eventos esportivos internacionais. A imagem importa, evidentemente, mas o que São Paulo e o país precisam é de paz social, de forças policiais íntegras, atuantes, e de Justiça eficiente, para que a criminalidade seja efetivamente contida. Apesar da complexidade do episódio, sabe-se que um dos elementos deflagradores do morticínio foi a troca de comando da Secretaria de Segurança Pública, há três anos, que resultou numa verdadeira faxina na corporação e numa radical mudança de estratégia para combater o crime organizado. Ainda assim, a impressão que ficou é de que os líderes do tráfico foram apenas pacificados, mediante acordos não explícitos, quebrados recentemente pela execução de delinquentes por policiais. Ora, não pode haver qualquer tipo de combinação entre o Estado e a criminalidade. Não cabe, também, transformar um problema desta dimensão em disputa política, como fizeram na semana passada o secretário de Segurança paulista e o ministro da Justiça. Ainda bem que a presidente Dilma procurou o governador Geraldo Alckmin e aparou as arestas, oferecendo-lhe recursos federais para o enfrentamento da crise. A guerra de São Paulo é também uma guerra do país, que tirou da miséria parcela significativa de sua população, controlou a inflação, resistiu a sucessivas turbulências econômicas, mas não consegue controlar a violência urbana e a delinquência. Os avanços perceptíveis, como a ocupação de morros cariocas que eram dominados pelo tráfico, se diluem diante dos episódios estarrecedores do Estado mais populoso da federação. Como aceitar que policiais tenham medo de sair às ruas porque se transformaram em alvo dos criminosos? Como aceitar execuções à luz do dia? Como aceitar chacinas e eliminação de marginais em julgamentos sumários motivados por sentimentos de vingança ou por defensores de faxinas sociais? Tudo isso configura um ambiente de selvageria incompatível com a democracia e com os projetos de desenvolvimento do país. Urgência inquestionável, a pacificação de São Paulo só será alcançada com uma política de segurança que contemple com igual rigor o crime e a repressão, pois o histórico mostra que há bandidos dos dois lados da trincheira. A pacificação de São Paulo só será alcançada com uma política de segurança que contemple com igual rigor o crime e a repressão