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ECONOMIA
Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009, 20h:09

GNV

Vendas despencam 50% em MT nos últimos 60 dias

Mercado próspero não se concretizou e transformou sonho em um pesadelo

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
As vendas de Gás Natural Veicular (GNV) nos cinco postos revendedores da Grande Cuiabá despencaram 50% em pouco mais de 60 dias, desde que o fornecimento foi restabelecido em Mato Grosso, no final do ano passado. Mercado desaquecido ainda emite alertas para novas demissões no setor em função das perdas com a venda de GNV e a demora no retorno dos investimentos. Os constantes embates com o governo boliviano, fornecedor do gás, fizeram com que o produto deixasse de ser uma alternativa mais econômica, para ser uma opção inviável e insegura. Depois que a oferta foi retomada no Estado, em dezembro de 2008, o reajuste de 18,86% elevou o preço do metro cúbico de R$ 1,59 para R$ 1,89, atualmente o segundo mais caro, perdendo apenas para o preço em vigor no Rio Grande do Sul, R$ 1,98. Há algumas semanas, a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), deixou de monitorar o desempenho do GNV no Estado, mas pelo ranking em vigor é possível comprovar a posição estadual. No ano passado, a interrupção no abastecimento, por imposição do governo do país vizinho, deixou os postos e consumidores por cerca de 70 dias sem o gás, que teve o corte no início de outubro, para ser restabelecido somente em meados de dezembro. MERCADO - De acordo com informações dos proprietários dos postos, o alto custo da manutenção dos equipamentos, aliado às despesas de energia e de funcionários, já está levando as empresas a rever seus planos e à adoção de medidas de contenção. “Atualmente, o gás natural deixou de ser um bom negócio. Aqueles que já implantaram o sistema estão sendo obrigados a reduzir custos”, afirmou o empresário Paulo Emboava, dono do Posto Vip, na Avenida Miguel Sutil, o primeiro a implantar o GNV em Mato Grosso, em setembro de 2005. “Se for preciso vamos cortar pela metade número de frentistas”. Ele conta que chegou a vender seis mil metros cúbicos (m³) de GNV por dia. “Com a chegada de novos postos a média caiu para 4 mil m³ e ainda garantia uma margem. Hoje não estou conseguindo vender 2 mil m³”. Segundo o empresário, o custo da energia e do funcionamento e manutenção dos equipamentos é elevado, tornando o negócio praticamente inviável. “Como já paguei os equipamentos, o gás passou a ser mais um produto no posto. Ainda assim terei que cortar despesas”. O primeiro corte seria reduzir pela metade o número de bombas e bicos para abastecimento. “Estou pensando também em reduzir a área física ocupada pelo GNV. O nosso posto tem duas ilhas e quero ficar com apenas uma”. O proprietário do posto Metropolitano, no Coxipó, Ranmed Leite Moussa, diz que os carros a gás simplesmente “desapareceram” da praça. “Os carros sumiram, não há mais movimento na pista de abastecimento e o preço ficou muito caro para o consumidor”. Ele acredita que enquanto o GNV estiver cotado a R$ 1,89/m³ na bomba, não há como recuperar o mercado. “O preço para o consumidor deixou de ser competitivo e não estou vendo luz no fim do túnel”. Segundo Ranmed, o negócio não dá lucro e “é muito oneroso manter o compressor funcionando ininterruptamente”. O empresário conta que implantou o sistema em 2005 e até agora não conseguiu “tirar” nem a metade do que foi investido, cerca de R$ 700 mil. As prestações do financiamento só terminam em 2012. Outro posto que acreditou no gás e hoje amarga prejuízos com o fraco movimento de consumidores é o Santa Elisa, localizado no cruzamento das Avenidas General Mello e Miguel Sutil. De acordo com o gerente Ronaldo da Silva, as vendas caíram pela metade. “A nossa média de vendas caiu de 4 mil m³ para 2 mil m³ após o desabastecimento no final do ano passado”, diz, apontando a crise de confiança da população. “Muita gente retirou os equipamentos do carro em função da demora do governo estadual em resolver o problema com a Bolívia ou porque não acreditavam no retorno do gás. Agora estamos colhendo os prejuízos”, afirmou Silva. Em Várzea Grande, os dois postos que implantaram o GNV também passam por dificuldades. “Percebemos que o número de carros convertidos a gás diminuiu”, afirmou um funcionário do Posto Zero, apontando queda de 50% nas vendas este ano. “Os preços do álcool continuam atrativos e as pessoas não estão querendo mais investir no gás”, disse o proprietário do 14 Bis, Marcelino Marques. ÁLCOOL – Temporada de promoções reaberta há cerca de 15 dias nas duas cidades, garantiu a posição de 2° litro mais barato do álcool no Brasil, ao Estado. Pela nova rodada de monitoramento dos preços feita pela ANP, a média estadual em R$ 1,48, só perde para a média paulista de R$ 1,33. Média Brasil é de R$ 1,53.

Edição EDIÇÃO 16964




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