ECONOMIA
Segunda-feira, 02 de Fevereiro de 2009, 20h:09
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CARROS USADOS/LIQUIDAÇÃO
Vendas caem até 80% em Cuiabá
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
A queda nas vendas de carros usados está levando as garagens de Cuiabá a aderirem às liquidações dos estoques. Muitas não estão conseguindo vender a metade do que vendiam no ano passado e reduziram seus preços em até 40%. Quatro empresas já fecharam as portas por conta da crise, iniciada em dezembro após a vigência da cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros zero quilômetro até mil cilindradas. O proprietário da Itália Veículos, João Miranda Mendes, diz que se a isenção do IPI continuar por mais três meses, 40% das garagens de Cuiabá vão fechar as portas. Segundo o governo federal, a vigência da desoneração do IPI para carros novos termina no dia 31 de março. Segundo ele, além da paradeira geral, as lojas reduziram o valor do seu patrimônio os carros em até 30%. Tem veículos que não estamos conseguindo vender pelo preço que compramos. Mendes cita um exemplo: ele pagou R$ 53 mil e gastou mais R$ 2,6 mil numa S-10 (ano 2007), totalizando um desembolso de R$ 55,60 mil. Hoje este veículo está sendo anunciado por R$ 47 mil e, nem assim, estou conseguindo vender. Outro empresário, dono da Moa Veículos, Moacir Spolidoro, frisa que as vendas chegaram a cair 80% no final do ano passado. Fomos obrigados a liquidar os estoques para fazer caixa. A garagem, que vendia em média 18 veículos por mês, encerrou dezembro com apenas três unidades comercializadas. Hoje, nem o telefone toca mais. Se esta paradeira continuar, serei obrigado a fechar a garagem. O presidente da Associação dos Revendedores de Veículos do Estado de Mato Grosso (Agenciauto), Isnel Leite de Almeida, diz que os principais obstáculos são a falta de crédito aprovação do cadastro e liberação do financiamento e a concorrência com os veículos novos, devido à isenção do IPI. A situação realmente está complicada. Estou no mercado há 13 anos e nunca vi crise igual, disse ele. Na verdade, esta crise começou em novembro e se agravou com a queda do IPI para os carros zero. Em dezembro, minhas vendas caíram mais de 50%, conta o gerente de vendas Francisco Tomaz, da Central Veículos. Francisco Tomaz diz que a empresa por enquanto ainda não pensa em demitir. Estamos segurando porque acreditamos que a situação poderá melhorar. Em janeiro ele já pôde sentir uma pequena melhora, mas o movimento está bem aquém do registrado em janeiro do ano passado. Eduardo Pereira de Souza, vendedor da Dakar Automóveis, também constata queda nas vendas. Chegamos a vender 28 carros por mês e, hoje, esta média caiu para 10. Apesar de considerar o mercado desaquecido no momento, ele prefere manter o otimismo e acreditar que a situação vai melhorar a partir do segundo trimestre. Com a queda da isenção do IPI, apostamos na retomada das vendas em um ritmo mais forte, disse o vendedor. Em situação parecida se encontra a Itália Veículos. O proprietário, João Miranda Mendes, diz que as vendas começaram a cair em novembro. Em dezembro a retração continuou e, este mês de janeiro, as vendas começaram ruins para nós. Numa comparação, ele diz que em dezembro de 2007 vendeu 22 carros. Em 2008, no mesmo mês, apenas 12 unidades foram negociadas e, em janeiro, apenas oito. Acredito que a crise está bem relacionada à falta de crédito. Atualmente, as pessoas não estão conseguindo obter o financiamento e as taxas de juros estão elevadas.