ECONOMIA
Sábado, 21 de Maio de 2011, 12h:56
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INFLAÇÃO
Sob alerta máximo
Além da perda no poder de compra, período pode retrair investimentos, eliminar empregos e afugentar o consumo
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
Aumento da conta de supermercado, das tarifas de ônibus, das mensalidades escolares, da energia elétrica, dos combustíveis, do aluguel e das taxa de juros sobre os financiamentos. Mal começou o segundo quadrimestre de 2011 e o consumidor cuiabano já sente no bolso a pressão inflacionária. O preço da carne, por exemplo, chegou ao seu nível mais alto este ano e somente agora começa a baixar, a exemplo dos combustíveis, liderados pelo etanol. Os efeitos da alta da taxa básica dos juros a Selic - também já estão sendo sentidas no bolso dos consumidores. A taxa média passou de 6,82% ao mês em abril para 6,86% ao mês em maio e, segundo especialistas em finanças, a alta vai continuar nos próximos meses. Para quem vive de aluguel, a notícia não é boa. O principal índice que serve de referência para os contratos, o IGP-M, já teve uma variação de 10,76% nos últimos 12 meses. O economista, Niedson Francisco Costa Marques, alerta que o consumidor deve se preparar para mais aumentos. "Os índices de inflação têm mostrado forte aceleração, refletindo os impactos dos reajustes do transporte público e das mensalidades escolares, além da manutenção de preços de outros segmentos em patamares elevados. Além disso, os alimentos também devem preservar a escalada altista. Ele prevê que as pressões pontuais somadas à dispersão da inflação devem manter os índices em um nível bem elevado no primeiro semestre. PLANEJAMENTO - Para o economista e consultor Vivaldo Lopes, o cenário indica que a inflação vai ultrapassar o limite máximo preconizado pelo governo federal, impactando principalmente no bolso da população de renda inferior, que tem menor poder para se proteger contra a inflação. Nesta situação, ou temos uma redução forçada do consumo com medidas de contenção redução da oferta de crédito, aumento das taxas de juros e diminuição dos gastos públicos ou, a população mantém o consumo em alta e aumenta o nível do endividamento. Lopes acredita que o governo federal irá brecar o consumo, sem causar traumas à população: O próprio consumidor é que deverá se organizar melhor, fazer um planejamento adequado dos gastos e evitar o consumismo exagerado. ESPECULAÇÃO - Na avaliação do economista e professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Benedito Dias Pereira, o efeito mais nítido do aumento da inflação é sobre o salário dos trabalhadores, observando que quando o nível de preços aumenta, o poder de compra da população cai. Com o aumento da inflação e de uma possível elevação das taxas de juros, ele vê risco de ocorrer uma mudança dos investimentos da ótica produtiva para especulativa, com reflexo direto no nível de emprego da população. Investindo menos, o empresário vai gerar uma quantidade menor de vagas no mercado de trabalho. Pereira também recomenda cautela por parte da população. O consumidor tem de fazer pesquisa de preços e só comprar bens essenciais e, de preferência, com pagamento à vista. Segundo o economista Costa Marques, o impacto da inflação no bolso do consumidor depende das negociações entre o varejo e o atacado. Normalmente, a indústria eleva os preços de tabela, mas os supermercados acabam negociando descontos. No entanto, neste ano a disputa ficou mais acirrada devido ao consumo aquecido. Além da queda de braço entre indústria e varejo, os reajustes ainda são bancados pelo consumidor, que compra menos quando os preços sobem demais. CÂMBIO - Para os investidores, a ordem também é ter cautela. "Os empresários mato-grossenses devem prestar muita atenção ao movimento de câmbio, pois o governo federal vai usar todas as medidas para evitar a apreciação adicional do real, mas não vai impor pressão para depreciar a moeda brasileira. Até porque, como sabemos, o forte da economia mato-grossense está vinculada às exportações", lembra Costa Marques.