ECONOMIA
Sábado, 28 de Março de 2009, 12h:39
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CRISE
Sinal vermelho no varejo
Pós-crise mundial impõe adoção de novas ações. Não basta recuar investimentos, demitir ou fechar filias. Momento pede muito mais
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
A crise financeira mundial continua causando estragos às empresas de Mato Grosso, principalmente, ao varejo. Além de suspender investimentos, reduzir filiais e rever planos, as empresas foram obrigadas a recorrer às demissões para sobreviver à crise. Apenas uma rede com matriz em Cuiabá - a City Lar, especializada em móveis e eletrodomésticos - demitiu 167 funcionários. Trinta e duas lojas da rede estão em Mato Grosso. O grupo Caselli, com 70 lojas, também fez ajustes no seu quadro de pessoal, corte de aproximadamente 150 funcionários. O Ponto Certo, com nove lojas, também dispensou, o mesmo acontecendo com a rede Novo Mundo, que tem 14 lojas e teria demitido 10% do seu quadro. Lojas de outros segmentos como presentes, calçados, cine-foto e esportes também fizeram enxugamentos. O grupo Call Center - 66 lojas -, que controla as lojas da rede Gabriela, também fez dispensas e suspendeu a contratação do pessoal temporário. Até uma loja na Rua 13 de Junho, foi fechada, entre outras da rede. Em outra frente, as grandes redes suspenderam a abertura de novas lojas em Mato Grosso. Na prática, isso significa empregos reprimidos. Somente o grupo Caselli deixará de gerar entre 300 e 400 vagas no primeiro semestre do ano. A rede Call Center também recuou em seus investimentos e não vai mais gerar os empregos esperados com a inauguração de novas lojas. Para os empresários, a ordem é esperar para ver como a economia vai se comportar até o final do primeiro semestre. Boa dose de cautela não faz mal a ninguém, pois estamos passando por um momento de turbulência e só o tempo dirá até quando isso vai durar, diz o presidente da Câmara Tributária da Federação do Comércio de Bens Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso (Fecomércio/MT) e vide-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL), Paulo Gasparoto. CASO - Maior rede de eletrodomésticos do Estado, com 192 lojas em 14 estados, a City Lar, contava no dia 31 de dezembro do ano passado com um total de 6,08 mil funcionários. No início desta semana, a empresa contabilizava 5,92 mil colaboradores, redução de 2,74% no quadro. De acordo com Cláudio Schauren, gerente de Planejamento do grupo City Lar, esses desligamentos ocorreram em função da otimização de processos, implantação do novo Centro de Distribuição em Cuiabá e consolidação de projetos de expansão, modernização e tecnologia. Foram ajustes pontuais para enquadramento de algumas lojas no ponto de equilíbrio. Esse procedimento é contínuo e não ocorreu por causa da crise. Segundo ele, a empresa nunca fechou uma loja, apenas ajustamos sua operação para que ela gere margem de contribuição positiva. O grupo Caselli também foi obrigado a fazer cortes. A rede, que conta com 2,1 mil empregados, dispensou 7% de seu quadro. Vivemos uma crise de confiança no mercado. Cedo ou tarde a situação terá de se ajustar, mas não sabemos quando isto irá ocorrer, diz o empresário Ailton Caselli. Todos estão com um pé atrás e o momento é de total cautela. Quando percebi a crise em novembro e dezembro, fiz todo o enquadramento das minhas lojas à nova realidade. Em dezembro já tinha o espelho da situação e começamos a revisar os contratos temporários, afirma o proprietário da rede Call Center, Mário Zanata. Segundo ele, em janeiro há um grande índice de desligamentos, muitos se formam, outros se casam e outros trocam de profissão. Por vários motivos as pessoas saem em janeiro. O que fiz foi a não recontratação do pessoal que saiu. Ele revelou que cerca de 200 funcionários deixaram a empresa. O planejamento era contratar 350 em dezembro. Mas suspendi as contratações e liberei o pessoal. De lá para cá, não houve mais contratações novas. Só em alguns cargos estratégicos da empresa. A rede tem 1,9 mil funcionários. Foram desativadas quatro lojas para a reestruturação Cuiabá (Centro e CPA), Barra do Garças e Campo Verde. Estamos fazendo adequações e mudando nossa estratégia para superar o momento atual. A Rede Gabriela, por exemplo, expandiu o atendimento outlet, que é padrão na Meio Preço, para outras lojas da Gabriela. Da mesma forma, o grupo segmentou o atendimento, por meio das lojas Gabrielinha, Gabriela Mulher e outras lojas.